domingo, 25 de dezembro de 2011

Quando, sem querer, fiquei transparente

Hoje, enquanto eu esperava o ônibus, uma menininha de 7 anos, negra, sentou ao meu lado e logo foi puxando assunto. Veio me dizer que ganharia de presente uma sandália igual a minha. Eu, que quase não gosto de crianças (logo me apaixono por elas, isso sim), comecei a perguntar de quem ganharia e dizer que estava muito bonita no seu modelito cor-de-rosa. Não me recordo o nome dela, sou péssima pra nomes, lembraria se ela tivesse dito umas três vezes pelo menos, mas me disse apenas uma vez. O que gostou e não parava de repetir foi do meu nome, segundo ela, igual ao da menina da sua novela preferida.
Me mostrou de longe quem era sua mãe, a qual não parecia se preocupar com as crianças um pouco distantes. A menininha estava acompanhada pelo irmão de 5 anos. Me contaram que estavam vindo da festa do trabalho da mãe e que lá tinham visto o Papai Noel e brincado em vários brinquedos. Imagino as muitas estripulias que fizeram, mas ainda assim seus cabelinhos crespos estavam lindamente presos e nem um pouco emaranhados, estavam os dois bem arrumadinhos. Ela, faladeira, continuou me contando sobre o que fizeram la, interrompida as vezes pelo irmão ficava irritada.
Faltava ainda o que deixaria aquele momento mais agradável e, porque não… Tento encontrar uma palavra, mas não sei se é necessário. Vejam: Enquanto ela falava empolgada sobre tudo houve uma pausa na conversa e ela parou olhando fixamente pra mim por um tempo. Deixei que ela olhasse, parecia procurar algo. Foi quando disse, de um jeito bonitinho com o seus lábios escuros e bem cheios:
- Seu olho é da cor do meu.
De fato, nossos olhos tinham a mesma cor. Me chamou a atenção a forma compenetrada com a qual ela disse isso e procurei não questionar, mas agradecer pelo privilégio de estar conversando com alguém que me enxergou de um jeito tão profundo, alguém tão pequeno, afinal, e tão gigante. Diante de peles tão distintas ela disse que o meu olho era igual ao dela e ainda grifou:
-A parte de dentro, né? A bolinha!
-E é com ela que a gente enxerga, é isso que importa! Respondi.
Provavelmente não iremos nos encontrar novamente, mas desejo, do fundo do meu coração, as coisas mais lindas ao coração dessa menina, e que os seus valores, certamente nascidos e herdados da alma, cresçam cada vez mais.

terça-feira, 5 de julho de 2011

I'm so sorry

Eu tenho uma sensação, desde a primeira gafe, desde a primeira vez que te olhei com aquela típica cara de boba, desde a primeira carona, desde o primeiro choro, de que preciso desesperadamente te pedir desculpas. Não sei, eu apenas fico pensando em esbarrar com você no shopping e sair dizendo desculpa, desculpa, desculpa… Tem algo em mim que exige isso. Mas ai está, isso seria outra coisa ridícula da qual eu teria vontade de me desculpar…

Encontrei esse texto da Stella Florence que tem trechos de tudo que eu queria dizer. Tomei a liberdade de fazer uma “colagem” aqui desses trechos. No texto original - Uma Carta de Desamor, a história termina de um jeito diferente, mas aqui eu só quero pedir desculpas mesmo.

“Me desculpe por ter escrito. Me desculpe por ter ligado. Me desculpe por ter dito sim. Me desculpe por querer entender seu silêncio. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe por desejar. Me desculpe pelo que foi ruim. Me desculpe pelo atrevimento de supor que eu merecia o que de bom aconteceu.

Me desculpe por eu ter escrito coisas lindas para você.

Me desculpe por, em algum momento, eu ter te amado.

Me desculpe pelos seus (meus) erros de português.

Mas, sobretudo, me desculpe por pedir essas ridículas, inúteis e dolorosas desculpas.”

domingo, 22 de maio de 2011

Aquela História

Estranho é vir aqui escrever depois que tudo já passou. Estranho eu fazer disso tudo algo tão grande e cheio de significados. Mentira, eu sempre faço isso. E dentro da minha confusão inteira você é uma das maiores perguntas. Por que você com todo o seu jeito oposto ao meu, com toda a sua irregularidade irritante? Você foi a vontade secreta da minha juventude, tão secreta que nem eu sabia direito. Eu só queria. Seu abraço, seu telefonema, suas brincadeiras, sua presença. O tempo todo.

Você disse que meus olhos eram lindos ao sol. As pessoas nunca reparam como a cor dos meus olhos muda ao Sol, elas nunca percebem ou nunca falam. Você falou e eu não esqueci, você já esqueceu, provavelmente. Certamente. E naquele outro dia, tão especial, se você não aparecesse, realmente não teria festa.

Quando você voltou, ou eu voltei, só conseguia me lembrar do quanto éramos felizes sem saber comendo num carrinho de cachorro-quente em frente ao colégio. Mas dessa vez eu já sabia que tudo que existia entre nós, não era só o que já havíamos feito.

E deixei você me beijar, e beijei você, e te ouvi falar, e não soube o que dizer. Falei demais, tive medo, fugi. E voltei pra te beijar de novo, aí comecei entender. Mas enquanto isso tudo acontecia você estava tão distante, dentro demais de você pra olhar pra dentro de mim. O espaço que a gente dividia era tão certo debaixo do edredom, era a forma incrível como tudo e toda parte de nós se encaixava. Eu sempre te deixei ir tão longe, mas tudo acabava tão banal e definitivo. Fui embora. E voltei pra te beijar. De novo. Aí não entendi mais nada. Não entendi nem de onde tinha tirado as expectativas e nem porquê sempre acabava voltando. Decidi não voltar mais. Não é impossível, porque não deu tempo de ser amor, mas é difícil porque nunca deixou de ser bom, porque eu encontrei algo que eu precisava e que tinha sem ter ao mesmo tempo.

_________________♥_________________

Esse é um tipo de história que não termina. Daí ficamos a perguntar coisas do tipo: O que passou pela cabeça da pessoa enquanto eu vivia sozinha o encanto todo? Por que não tentava entender como eu tentei? Eu estava no carro e uma música traduziu isso tudo, sabe aquilo que de repente te conforta? Me deu vontade de vir aqui e escrever, não por que tenha sido triste, sabe aquelas coisas que simplesmente são, dispensam adjetivos? Mas por algum motivo aquela letra me fez entender... “Talvez você seja feliz sem saber.”

O que você quer? / O que você sabe? / Não é fácil prá mim / Meu fogo também me arde / Às vezes / Me vejo tão triste.../ Onde você vai? / Não é tão simples assim / Porque às vezes / Meu coração não responde / Só se esconde e dói... / Por favor não vá ainda / Espera anoitecer /A noite é linda / Me espera adormecer / Não vá ainda / Não, não vá ainda... / Me diga como você pode / Viver indo embora / Sem se despedaçar / Por favor me diga agora / Ou será! / Que você nem quer perceber? / Talvez você / Seja feliz sem saber...

Christian Oyens / Zélia Duncan

quarta-feira, 16 de março de 2011

O que elas querem na verdade?

Estamos sempre idealizando para as nossas vidas pares perfeitos, na maioria das vezes usando como referência os filmes, seriados e até a novela das oito. Basta ter um pouco de bom senso para concluir que esse tipo de romance e relacionamento não existe, e eu acredito que as mulheres que vêm a minha cabeça quando falo nesse assunto, e que sei que estão a procura desse romance ideal, no fundo não acreditam que eles venham a acontecer como elas imaginam. Então, o que realmente acontece? Não são as respostas que estão erradas, mas enfim qual é a pergunta que não estamos sabendo fazer? Falo aqui pelas mulheres. Mesmo acreditando que, da parte dos homens também exista algum conflito do tipo não me sinto segura em afirmar e discutir já que não vivo esse lado da força. Falo do que observo e também do que ouço de amigas, amigas de amigas, etc.

Por mais que, ao longo do tempo a evolução da importância da figura feminina, seja no lar, no trabalho ou na sociedade, venha crescendo vertiginosamente existem valores, quiçá intuitivos, que não nos abandonaram e aparentemente não nos abandonarão. É certo afirmar que no quesito paquera as mulheres estão muito mais seguras e dando muito mais abertura no lugar de ficar apenas esperando a boa vontade do cavalheiro. Porém discordo de que a iniciativa esteja deixando de ser totalmente masculina. Grande parte dessa teoria de que, hoje, homens e mulheres têm posições equivalentes na hora da paquera, surge em consequência da Night, bares e baladas onde o objetivo é olhar, escolher alguém, dar bola e “pegar”, mais de uma por noite, por hora, enfim. Nessas circunstâncias acredito que há mesmo quase uma equivalência no quesito “quem toma a iniciativa”, mas falando de interesse, de sentimento, de empatia, a coisa é bem diferente.

Uma coisa é se interessar por um cara alto, bonito e charmoso numa balada, mostrar interesse e ficar com ele. Outra é encontrar todos os dias com a mesma pessoa num restaurante, trocar olhares e sorrisos, ou então cruzar alguém no hall do prédio, na piscina, na reunião do condomínio e sentir que existe algo no ar, que não se define muito bem, mas vocês sabem do que estou falando, quem nunca sentiu? Nesses casos a mulher não é quem toma a iniciativa, e nem demonstra interesse logo de cara. Existe uma coisa, estranha, na alma feminina que faz com que ela recue a medida que vai se envolvendo. E, pelo menos as mulheres que sentem e são de veradade, querem mesmo esse cara do restaurante e o do condomínio e não o bonitão da balada. Isso porque estou falando de sentimento, de relacionamento e não de satisfação banal dos prazeres da carne. Isso é o que me preocupa.

Com essa história toda de que homens e mulheres cada vez mais dividem o mesmo papel os relacionamentos estão desaparecendo e, na língua falada, todo mundo pega todo mundo. Cadê o sentimento? Quando a mulher se apaixonar mesmo ela não vai falar, não é ela quem vai pedir o telefone e ligar pra convidar para um jantar. Ela, sendo mais segura, pode até jogar indiretas (que eles dificilmente entendem, mas não custa tentar), mas ser totalmente direta e mandar um “Pode ser ou tá difícil?” é algo raro de acontecer. E os homens, acreditando na teoria de que hoje elas chegam junto, talvez, estão cada vez mais “lentos”. Me canso de ouvir histórias em que eles demoram uma eternidade pra resolver fazer alguma coisa. Até ligam, até vão atrás, mas não são objetivos e diretos. Comodismo? Preguiça? Claro, é bem mais fácil ir pra um barzinho e ficar com uma mulher linda e fácil, mas ligar, convidar para um almoço, fazer uma visita, é complicado para eles. Elas ficam então frustradas, desiludidas, perdem aquela vontade e interesse, acham que o problema está nelas, mas acredito que esteja mesmo em compreender que o mundo muda, os tempos passam, mas as mulheres ainda gostam de ser cortejadas e conquistadas. Ouçam homens, por mais que seja uma mulher linda, bem sucedida e independente não significa que ela não vai te querer, ela apenas é diferente da bonitona fácil da balada.

É isso, chega de procurar por príncipes, homens românticos e sem defeitos, que mandam flores e chocolates, que gostam de vinho, ficam lindos de cabelinho penteado e gravata e jamais estão de mau humor. Esses não existem, elas sabem. O que querem são homens com atitude, homens que não esperam, que fazem acontecer, que conquistam, escutam, ligam e agradecem por terem pensado neles, até por que isso não é nada de extraordinário, é o que foi deixando de existir com o tempo. Isso é estar disposto a se comprometer, não pela vida toda, isso requer tempo e muita entrega, mas se comprometer a passar pra pegar as oito e cumprir a promessa não arranca pedaço de ninguém. E, acreditem, relacionamentos começam assim, requerem determinação, quem foi que inventou que é fácil encontrar alguém?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ela IN-teira

Ela esperava, nunca falava, como se observasse a vida e as coisas de modo que sempre aprendia, mas sempre guardava o entendimento dentro de si. Observando ela aprendeu que a essência da vida vem de dentro para fora e que não adiantava esperar como sempre fazia. Era preciso triturar o mundo e as coisas no seu processador interno e jogar tudo para fora, para ai então deixar com que o seu jeito particular de fazer isso pudesse mostrar aos outros quem ela era.

Ela queria alguém que chegasse e a pudesse fazer feliz, mas ninguém podia se ela não gostasse de ser como era, entendeu. Saiu em busca de fazer a própria felicidade como quem dá presentes a si mesma, como quem brinca com os brinquedos feitos pelas próprias mãos. Esse era o caminho certo, pois enquanto não soubesse dar-se os presentes certos, enquanto não encontrasse o modo de construir o brinquedo que mais a faria sorrir ninguém no mundo todo poderia fazer isso por ela e ela também não poderia fazê-lo por ninguém. A partir desse dia a menina tornou-se muito mais forte. Pôde encontrar nas pessoas motivos encantadores pelos quais se apaixonar. Não teve medo de se apegar pois era segura. Viu que perder fazia parte de vida assim como a dor particular que cada uma causava e viu também que era necessário deixar-se sofrer. A tristeza tem começo meio e fim, dura um tempo, não se cura de uma vez. Distrair-se só fazia com que ao fim de cada distração o tempo da tristeza partisse do zero de novo e demorasse mais. Não era por conta dos sofrimentos que a felicidade deixaria de existir.

Havia ainda no mundo muitas coisas que a deixavam descontente, mas todos os dias, num exercício milimetricamente controlado, olhava para dentro e encontrava um jeito de não deixar o que a aborrecia afetar de forma negativa suas energias Algumas vezes chegava a conclusão de que se mudasse um conceito, uma percepção, um comportamento dela aquilo a agradaria muito mais sem ter deixado de ser o que sempre foi. Fazia sentido dizer que as coisas mudavam quando ela mudava.

Foi vivendo dessa maneira, um dia depois do outro, uma coisa de cada vez. Sentiu o ar entrar mais leve no peito, sentiu os momentos difíceis com mais controle para poder lutar. Estava pronta para aprender ainda muitas coisas, mas era como se uma das partes já estivesse cumprida. Aquela parte de aprender que não importa quantas pessoas estivessem ao seu lado e nem quantas pessoas a fizessem bem ou mal, o que sentia só ela sabia, só ela entendia e, principalmente, só ela controlava.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Curtos

"Eu quero o seu sofá, quero Almodovar na TV, suas pernas perdidas entre as minhas pernas, sentir seu cheiro e ver como entre uma risada e outra o sono umedece seus olhos. Quero perder meus dedos nos seus cabelos até sentir acalmar sua respiração. E te ver dormindo, mas te acordar com o beijo que, por eu ter te olhado assim, meio de lado, meio sem querer olhar profundamente, tornou-se inevitável."
-1.2.11

"A gente vive buscando no passado explicação para as coisas de agora. Ridículo. Como se tudo pudesse ser fundamentado, como se o passado fosse algo a se carregar para sempre e só ele fizesse sentido. Eu quero a liberdade de rever os meus conceitos o tempo todo, de mudar de opinião e inventar novas escolhas, a liberdade de trazer do passado apenas o que aprendi sem mudar o presente por conceitos saturados e teimosias arrastadas pelo tempo."
- 4.1.11

"A diferença talvez não esteja no outro, ela está em nós e em como nos sentimos. Ultimamente as pessoas tem me feito sentir a menina pequena, delicada e indefesa que eu não gosto de ser. Então eu paro pra lembrar que do seu lado eu me sentia tão forte, ousada e segura quanto eu acredito que sou. Não sei se é certo encarar isso como uma resposta ou como algo que indique um caminho, é preciso mergulhar mais fundo para desembaraçar esse fio que une as minhas vontades e os meus medos, mas enquanto isso segura a minha mão, é tudo tão difícil."
-2.1.11

"Era como se até o ar tivesse dificuldade de entrar naquele peito preenchido pela pessoa que, pra ela, era a preferida entre todas as pessoas no mundo."
— E em breve texto completo

"Em algum lugar do tempo dançávamos num bar argentino, bebiamos e dávamos risada. Você estava linda, a música de tão forte era parte de nós. E nunca mais saimos dali, como se o tempo tivesse parado para que nos encontrássemos em centenas de outras vidas e ainda assim, ao olhar nos seus olhos, eternamente embreagados, eu ainda pudesse ouvir a música, sentir o cheiro do álcool e a vontade de te beijar."
-23.10.10


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Como é se apaixonar?

Alguém me explica? Acho que ando confundindo as coisas. Acho que sempre confundi. Dá vontade incontrolável de abraçar a pessoa? Dá medo de ser rejeitada? Desculpa, preciso fazer todas as perguntas. Dá medo de ficar sem, dá vontade de dizer pra não sumir nunca mais nem por um dia sequer? Quando vemos o sorriso da pessoa queremos sorrir também e demonstrar todo carinho do mundo? E poderiamos ficar por horas olhando sem falar nada, só observando, os gestos, as expressões…? Todo dia é como se fosse o primeiro encontro até sair a voz, a primeira palavra?
Eu preciso de explicação, não tem um tutorial? É assim que a gente reconhece um amor nessa vida? Eu preciso ter certeza, será que um dia a gente tem?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Palavras de presente

Ai de mim se eu não escrevesse esse texto. Mais uma vez sendo desafiada a escrever sobre coisas boas. Deus, isso está se tornando um hábito. Nada de aflições, arrependimentos, medo. Nada disso. Estou aqui para falar de coisas boas, e quantas. O que falar sobre alguém que resolveu ficar mais velho junto com o planeta? Ou quase. No dia 31 de dezembro há mais do que se comemorar do que a passagem de um ano para o outro, pelo menos para mim.
A primeira vista ele tem uma aparência séria. “Quando te conheci pensei que era bravo!” Lembra? Mas depois, muito rapidamente, digamos assim, pode se perceber a alegria toda que brota daquela pessoa. O mau humor matinal (às 10h da manha, vejam bem) é característico, porem sem demora tudo vira motivo para brincar, tudo vira piada, todo mundo vira personagem e a vida fica leve de mais. Uma infinidade de apelidos saem daquela cabeça, cada idéia maluca vem não sei de onde, uma torneirinha de asneiras das bem aproveitáveis. Maquininha de palavras, fala, fala, fala e não para. Quando fixa numa idéia, numa provocação, não há quem o faça parar. Em qualquer momento que esteja quieto de mais é certo que está tramando, inventando, criando. Inteligência nobre de publicitário. Publicitário que é entre todas as outras coisas que já foi. Entre suas milhares de histórias já passou por muitos lugares, já conheceu muitas pessoas e já foi tantas coisas que parece que nunca vai acabar de contar tudo que tem pra contar.
Chato. Nem tem graça falar de você. Tanta coisa que não cabe num texto só. Só posso falar de verdade da alegria que foi, e é, ter conhecido você, ter aprendido com você, ter dado tantas risadas, ter raptado sua câmera, não ter travado a porta do seu carro, ter que guardar todas as coisas malucas que você inventa e querer que isso tudo continue acontecendo por muito tempo. Obrigada por tudo. Por ser assim tão alegre, implicante, por mostrar que a vida é bem maior nas coisas pequenas, vale muito mais nos detalhes. Feliz aniversário. Espero que sua ansiedade tenha te deixado ler só no dia 31, rs. Que tenha um dia lindo de aniversário e um ano lindo pela frente. Muita saúde, muita paz e muita luz nesse coração que é maior do que você mesmo. Adoro você, Gilsonzovisk!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Anjo Torto

Pude vê-lo saltar a janela assim que abri os olhos pela manha. Veio, mais uma vez, bagunçar minhas gavetas, rasgar minhas anotações, tomar o leite da geladeira e comer o ultimo pedaço do bolo de chocolate. Revirou tudo, uma bagunça das que não se pode imaginar. São nessas horas que o meu anjo costuma aparecer, quanto está tudo certo, caminhando pra organização e normalidade. Eu estou feliz, segura, estou sentindo que é o caminho certo e ele vem e me enche a cabeça de dúvidas e o tapete de restos de chocolate.
Ei, anjo, para de tentar me fazer acreditar que a vida é uma aventura, para de tentar me dizer que nada precisa ser resolvido. Chega, não quero mais que você me faça mudar tanto de opinião, não quero mais que me faça esquecer assim tão rápido, não venha mais uma vez desarrumar a minha casa e a minha vida, porque agora eu decidi que quero torradas e margarina no café da manha, quero flores na varanda e pinguim na geladeira. Chega, chega de aventura, entendeu?

Você deveria me reger, guardar, governar e iluminar, não é assim? Tudo bem que isso você até faz, anjo, mas você não me ouve, é muita ousadia sua achar que pode brincar com a minha vida desse jeito. É tudo tão de repente, tão assustador. São tantas novidades, tantos medos do que pode vir depois e depois, como se eu sempre esperasse um baque, um chacoalho, uma cambalhota.

Eu vou fechar todas as janelas, vou trancar as grades e as portas. Você precisa aceitar que não dá mais, preciso entender todas essas coisas, preciso de tempo, de um bom tempo numa casa arrumada e colorida, para respirar, pensar sem essa intensidade toda, sem essas surpresas que você costuma me arrumar.

Tudo que eu precisava na vida, além de toda essa confusão, era de um anjo torto que tentasse me fazer acreditar que a vida é uma manhã de domingo. Você acorda, ainda com todas aquelas sensações do sábado, sabe que tudo vai acabar e que precisa enfrentar uma segunda feira, mas já que é domingo mesmo você acaba inventando alguma coisa pra fazer, qualquer coisa sem planos, e acaba sendo muito feliz. Para de mentir pra mim, anjo!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A epifania, ou uma das.

Esses dias ando me sentindo muito bem. Como há tempos não sentia eis que está aqui outra vez uma chamasinha que me faz dar risada das minhas loucuras. Passei tanto tempo tentando entender, tentando aceitar enquanto viver dependia apenas de estar conectada a mim mesma. Cada sentimento, casa sensação, cada palavra que me atingia... Eu olhei pela janela e o Sol nascente entre as árvores era um novo Sol. Hora de dar bom dia um novo eu.
Vez ou outra eu ainda quero chorar no meu travesseiro, descansar do mundo durante todo final de semana, porque, afinal, ninguém é perfeito, graças a Deus. A primeira lição que se deve aprender na matéria Ser Feliz é que não se equilibra nada apenas com coisas boas e que faz parte de ser feliz se permitir, hora ou outra, ser embebida pela tristeza.
Na verdade a gente nunca entende tudo de uma vez. Por exemplo, eu estava mesmo achando que não deveria mais contar pra você todas as coisas do meu dia, dos meus sonhos e do meu coração e estava errada. Eu ainda espero te encontrar a cada esquina, conto os passos na esperança de que na próxima curva vou dar de cara com você. Os carros vermelhos ainda me chamam a atenção mesmo que nunca sejam o seu, aquele restaurante nunca mais foi o mesmo, as músicas ainda me fazem lembrar seus olhos. Por incrível que pareça eu insisto em fazer o mesmo caminho todos os dias ainda que você nunca esteja lá. A diferença é que hoje isso não dói nem um pouco. É diferente porque sempre que eu penso em você parece o momento certo, são partes de mim e do meu dia onde volta e meia você aparece e me faz sorrir. Sentir esse amor por você me faz viva, forte, inteira apesar de tudo ou porque tudo foi a coisa só que me fez chegar até aqui. Hoje o seu amor não me impede de amar outras coisas, não me faz querer viver só por ele, mas por causa dele.
Tenho descoberto também que felicidade de mais assusta. Certo, como todas as outras milhares de coisas que me assustam nessa vida, de repente, me encontrar em paz é um tanto apavorante. Da medo que acabe logo, da medo de me perder dentro disso tudo, da medo de achar que estou entendendo o que na verdade é outra coisa totalmente oposta e não saber de mais nada. Porém, pensei meia horinha e vi que isso também faz parte de estar conectada. Ok, mundo, posso estar orgulhosa de mim, e da vida, e desse texto feliz? Posso ligar contar que estou bem, que estou entendendo, não foi você que me pediu tanto pra entender? Posso te dizer que eu te amo, te amo muito, e agradecer por tudo? Quero ser o mendigo que ganhou na loteria, quero sair jogando dinheiro pro alto, moedas de euforia. Quando a gente ta feliz vale até ser meio brega, a gente não se preocupa mais com o resto porque tudo que interessa agora está pulsando dentro de nós. A tristeza é que é caprichosa, cheia de cerimonias, de certos e errados e que costumava dar textos bons, sabe por que? Tristeza nos enche de caraminholas e deixa as palavras darem milhões de voltas tentando fazer um sentido que não tem. Felicidade é fato e não se discute.

terça-feira, 29 de junho de 2010

A sua garagem

Naquele dia eu perdi todas as esperanças como se fosse incapaz de, sequer querer, lutar por alguém que não fosse você. Pensei em todos os minutos que desperdicei dentro do carro na garagem do seu apartamento pensando em tudo que eu queria te falar, pensando em subir, em me jogar, em, quem sabe, fazer você sentir culpa por aquela dor que eu inventava em mim todas as vezes que a gente se despedia.

No fundo, só no fundo mais fundo de mim, eu queria que você sofresse, muito, eu queria que você se arrependesse de tudo. Mas você não fez nada, você apenas não me amou. Você não merece sofrer e eu não mereço você. Então eu saio com o carro da sua garagem e com o meu coração mole, pulsante e ardente, da sua vida.

Espera, porque você me deixa guardar o carro na sua garagem? Porque o seu porteiro me conhece e para quantos outros porteiros eu vou dar o bom dia mais sincero e gigantesco só por ter passado a melhor noite da minha vida no prédio onde ele trabalha? Você até me deixou dizer que violetas só ficam boas na lavanderia da minha avó e que margaridas combinariam muito mais com o seu apartamento. Eu quase comprei as margaridas. Eu quase amei as violetas, o quadro estranho e a vista pra lugar nenhum da janela do seu banheiro, mas na verdade tudo fazia parte de mar você.

No caminho pra minha casa ainda penso em te ligar para pedir encarecidamente que você nunca mais sorria me olhando assim de lado, demonstrando o quanto você gosta de mim, porque eu abomino esse seu gostar. Abomino que ele me torne idiota o tempo todo e eu abomino que você acredite que gostar seja suficiente. Você promete? Promete que nunca mais vai fazer assim e que a partir de hoje, sem caçoar, você vai me deixar mudar de opinião e amar aquela sua blusa azul que eu tanto odiava. E quero passar a amá-la porque não quero ter que fingir que te odiei diante de todas as blusas azuis que eu ainda encontrar pela frente. Promete que não vai rir de mim?

Deixa pra lá, agora eu só quero ficar sozinha para entender porque eu fui fazer de você a pior besteira de todas e porque isso tudo dói tanto. Eu preciso entender porque é tão difícil aceitar que acabou. Talvez seja porque eu jamais vou conseguir substituir o seu personagem que vive comigo, dentro da minha cabeça, as histórias que um dia eu inventei e nós ainda não vivemos.

domingo, 9 de maio de 2010

Ninguém

Eu sei que nem sempre as pessoas vão me dizer o que eu mais quero ouvir e que às vezes elas não estarão lá quando eu precisar. Sei que falo bobeiras e depois me arrependo. Sei que não sou perfeita. Que tudo que eu quiser eu terei que lutar muito pra conseguir. Que nada é tão fácil quanto parece. Que é difícil. Sei que nem sempre vão me consolar, às vezes vai ser hora de alertar. Que não basta um sorriso pra entender, nem um abraço pra durar. Sei que as palavras geralmente são ditas pela metade e que ninguém alem de mim vai saber o que sinto de verdade.Sei que tenho muito a aprender e que às vezes dói errar. Que é feio mentir, falar mal das pessoas e querer ser mais do que se é. Que é preciso ser bem pequeno pra ser grande um dia. Que pessoas machucam pessoas e que eu um dia machuquei também. Sei o quanto é terrível o abando e necessária a solidão. Sei derramar lágrimas, mas às vezes não consigo. Sei sorrir, mas às vezes o sorriso não vem. Sei que é preciso sentir saudades pra se lembrar de alguém, que é preciso coragem pra levantar da cama, e silêncio pra se dizer que ama. Sei o quanto esperar e a hora de fazer acontecer, nem sempre é a hora certa, mas foi o melhor que pude fazer. Sei quais pessoas precisam de mim e eu preciso muito delas aqui. Sei a hora de calar e de fingir. E que olhar nos olhos é muito importante.
Acima de tudo eu sei que sei de todas essas coisas profundamente, não falo porque me disseram, elas sempre estiveram dentro de mim, sei que dói saber muitas delas. Mais do que nunca hoje eu quero ser NINGUEM.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Reflections of a Skyline

Na minha constante necessidade de emprestar palavras quando as minhas já não cabem no que estou sentindo relembrei quando passava pelo Borboletando e encontrei o Reflections of a Skyline que é um curta dirigido por Michael Tamman & Richard Jakes.
E é mais ou menos assim:

Eu quero brincar de esconde-esconde, te emprestar minhas roupas, dizer que amo os seus sapatos, sentar na escada enquanto você toma banho. E massagear seu pescoço, baijar seu rosto, segurar sua mão e sair pra andar. Não ligar quando você comer minha comida, te encontrar numa lanchonete pra falar sobre o dia, falar sobre o seu dia e rir da sua paranóia. Te dar fitas que você não ouve, ver filmes ótimos, ver filmes horriveis e te contar sobre o programa de TV que assisti na noite anterior. E não rir das suas piadas. Te querer pela manhã, mas deixar você dormir mais um pouco. Te dizer o quanto adoro seu olhos, seus lábios, seu pescoço, seus peitos, sua bunda. Sentar na escada, fumando, até seus viinhos chegarem em casa. Sentar na escada, fumando, até você chegar em casa. Me preocupar quando você esta atrasado e me surpreender quando você chega cedo. E te dar girassóis, e ir a sua festa, e dançar. Me arrepender quando estou errado e ficar feliz quando você me perdoa, olhar sua fotos e querer ter te conhecido desde sempre, ouvir sua voz no meu ouvido, sentir sua pele na minha pele e ficar assustada quando você se irrita. Eu digo que você está linda. Te abraçar quanto você estiver aflita e te apoiar quando você estiver magoada. Te querer quando te cheiro e te irritar quando te toco. E choramingar quando estou ao seu lado, e choramingar quando não estou. Me debruçar no seu peito, te sufocar de noite e sentir frio quando você puxa o cobertor e sentir calor quando você não puxa. Me derreter quando vcê sorri, me desarmar quando você ri, mas não entender como você pode achar que estou rejeitando você quando eu não estou te rejeitando e pensar, como você pode pensar que eu te rejeitaria? E me perguntar quem você é, mas te aceitar do mesmo jeito. E te contar sobre o Tree Angel, O menino da Floresta Encantada que voou todo o oceano, por que ele te amava. Comprar presentes que você não quer e devolvê-los. E te pedir em casamento e você dizer não, de novo, mas continuar pedindo, porque, embora você achar que não era verdade sempre foi sério, desde a primeira vez que pedi.
Ando pela cidade, pensando,é vazio sem você, mas eu quero o que você quiser. E penso, eu estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim, e tentar dar o melhor de mim porque você não merece nada menos que isso.
Responder suas perguntas, quando prefiro não responder e dizer a verdade mesmo que eu não queira, e tentar ser honesto porque eu sei que você prefere. E achar que tudo acabou. Espera, só mais dez minutos antes de me tirar da sua vida, e esquecer quem eu sou, e me deixar chegar mais perto de você e, de alguma forma, de alguma forma, de alguma forma compartilhar um pouco do irresistível, imortal, poderoso, incondicional, envolvente, enriquecedor, agregador, atual, infinito amor que eu tenho por você.

"Ando pela cidade, pensando,é vazio sem você, mas eu quero o que você quiser. E penso, eu estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim, e tentar dar o melhor de mim porque você não merece nada menos que isso." - Yaa! Perfeito!

Não deixem de ver também o vídeo aqui. É emocionante, verdadeiro e intenso. É, hoje, o que eu precisava pra falar de mim siplesmente porque diz tudo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Eu apenas preciso saber

Eu mal te conheço e já quero que me ame. Mas se você não quiser, tudo bem. Eu já superei tantas vezes. Na verdade eu nem sei se superar é bem a palavra, mas eu consegui, estou viva, entende? Parece mais com se conformar. Dizem que quem se conforma é fraco. Pelo contrário, pra se conformar com um não amor precisa ser bem forte, muito forte. Eu devo ser, acontece que eu tenho medo, eu não quero ter que me conformar, não com você, ou melhor, sem você. Eu não estou dizendo que te amo, não, por favor, não entenda isso. Quero que você me ame, não precisa ser agora, não precisar ser já, mas precisa ser, um dia, tem que ser. Porque mesmo que eu não te ame agora se continuar sorrindo desse jeito e segurar minha mão mais uma vez já vai ser tarde demais. É como uma garantia, uma forma de saber que tudo vai valer a pena porque, aconteça o que acontecer, você vai ter me amado, pelo menos um pouco, um dia. Não pense que eu sou maluca, não se trata disso, pelo menos não nesse caso, é que eu não quero ter que esquecer, não hoje, não dessa vez. Não amar é a pior crueldade que alguém pode fazer sem ter culpa nenhuma e o seu abraço insiste me dizendo que você não seria capaz, mas abraços enganam porque eles são o que a gente quer que eles sejam nunca o que realmente são. Se eu for acreditar nos CDs que você leva no carro, no presente que você me deu, na atenção que você tem em estar sempre olhando pra mim em todos os sentidos e naquele carinho atrás da orelha que você sempre faz quando eu to chateada eu vou ter certeza que não vai ser preciso me conformar nunca em não ter tido seu amor. É por isso, é por tudo isso que, dessa vez, só dessa vez, eu queria muito que você me amasse, e é por isso também que você precisa dizer, de verdade, se vai me amar um dia. Por favor, diz agora, antes que a gente entre no melhor restaurante do mundo e peça o yakisoba mais colorido com Coca- Cola e dê muitas gargalhadas por nenhum dos dois saber enrolar o macarrão com o hashi. Me perdoa, mas precisa ser antes, antes que você me leve pra casa, antes que eu descubra sua cor favorita, antes que eu adivinhe o nome daquele filme que você chorou, antes que você não me ame e seja tarde demais.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Coca-Cola

Algumas coisas deveriam ser proibidas na vida. O pior é quando elas já são proibidas e você não ta nem aí. Ou tá, mas não consegue se livrar da coisa. É igual coca-cola. Eu odeio coca-cola, mas é tão gostosa. Não, eu não odeio coca-cola, eu tenho medo de tomar e doer meu estômago, aí eu finjo que odeio só pra não sofrer a falta. O amor é a mesma cosa. Amar é muito bom, mas faz sofrer, aí a gente passa a odiar, finge que odeia. E odeia.
Eu odeio coca-cola quente e amor frio. Eu odeio quando quem eu amo não se derrama de amores por mim, quando não tem tempo pra mim, quando me faz ser um cachorrinho implorando carinho pro dono com a bolinha amarela de plástico na boca,ser alguém morrendo de sede atrás da coca-cola, a ultima da geladeira da padaria. E por ela ser a ultima você odeia ainda mais, por ela ser única e você precisar tanto dela você tem vontade de atirá-la na parede.Tantas vezes eu já perdi a capacidade de raciocínio. Tantas vezes eu já menti pra mim e já quebrei a cara, e já me achei uma idiota todas as vezes que corri pra implorar “me ame, merda”. Eu queria sair de mim só pra ver a minha cara de tonta, a minha cara besta de quem disfarça e acha que você não ta percebendo que eu sou um gatinho me esfregando na sua perna enquanto você quer tomar café da manhã em paz. Mas você percebe, qualquer um percebe essa minha cara de tonta. Minha cara de “eu quero a coca-cola, mas não vou pedir”. É como se alguém tivesse que adivinhar, pra eu recusar e depois da insistência aceitar. Mas difícil é aprender que ninguém faz isso. 
Coisa terrível no mundo é você não poder escolher quem você ama. Outra pior ainda é achar que ama e descobrir que só sente pena. Pensar no passado dá uma dorzinha no meio da testa, mas pensar no futuro quase esmaga o coração. Eu quero mais emoção na minha vida e a única pessoa que me ensinou o que é emoção está ocupada demais com tudo que não sou eu. Chega a vez do ciúme.Ciúme também é uma coisa chata, você só sente pra sofrer e ele não tem sentido nenhum. Já perdi a conta de quantas vezes lavei o rosto pra tentar espantar esse monstro, mas ele está impregnado e não sai de jeito nenhum. Ciúmes é outra coisa bem parecida com coca-cola. Muito faz mal, pouco da abstinência e tédio.
Mas o que fazer com um copão de leite quando o que você quer é coca-cola? . Coca- cola é como uma grande aventura, tem gás, da cócegas na garganta, mata a sede mais do que qualquer água, suco ou copão de leite. Quando você bebe rápido demais arranha a garganta de um jeito bom, e se você tiver que tomar de vagar também é uma delícia. Serve pra embreagar e pra dar prazer. Eu nunca mais vou dizer que estou esperando a tampa da minha panela, a metade da minha laranja, o pé pro chinelo. O negócio é dizer que estou procurando a minha coca-cola, mas que por enquanto eu só tenho um copo de leite com groselha.
A unica coca-cola da minha vida eu nem pude experimentar. É a coca-cola que eu joguei no ralo porque ainda era criança e achei que todo refrigerante tivesse o mesmo gosto. Hoje quando me deparo com outros refrigerantes por aí entendo que é tudo tão diferente.
Sabe o que eu vou fazer agora? Comprar uma coca-cola só pra mim. Pra esquecer de tudo e afogar todas as coisas nelas mesmas. Eu vou tomar a porcaria da coca-cola e não quero nem saber do leitinho com groselha essa noite. Poxa vida, eu já falei que detesto coca-cola?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As Cores do Dia

Hi,

As Cores do Meu Dia, by ShuffleTime Multicolor - Escolha as cores e ele te dá a imagem

"Uma foto, uma foto para as cores do dia. Seria sempre bom se a gente, sempre, pudesse fotografar as cores das coisas. A cor dos olhos surpresos em ver, a cor do abraço que já faz parte das duas pessoas, o abraço que já tem a cor de uma e outra, a cor que já misturou. A cor desbotada da expectativa sempre apaga, toda vez apaga. A cor do olhar é cansada e a do ouvido atenta, a cor do sorriso é a mesma da própria pessoa, mas brilha mais, muito mais. O cor-de-rosa é do abandonar as malas e puxar a cadeira, resolver ficar, o azul é da conversa que voa e faz o tempo voar. O marrom das sábias palavras contrastado com o verde que é leve, inocente. Os risos são dourados e ofuscantes, meus e seus, a cor nova do dia faz do presente único e inconcequente e eu percebi que quando se gosta tanto o sentim.ento pode mudar de cor e a cor de hoje eu quero retocar e retocar pra que ela não apague nunca."

sábado, 26 de setembro de 2009

About me.

Olá! Como eu estava com saudades ^^
Por vários motivos tive que abandonar aqui, mas sempre sobrava um peso na conciência. Agora estou de volta em clima de inauguração. Logo vocês poderão voltar a deixar seus comentários, estamos ainda em reforma rs.
Bom, pra começar, resolvi roubar um "About me." do Blog da Gê . Eu não gosto muito dessas coisas, mas achei esse bem legal. Não é nenhum tipo de corrente, vocês não são obrigados a ler até o final, mandar pra 15 pessoas, fechar os olhos, fazer pedidos, apagar a luz, dar três pulinhos, e acredito que a pessoa que você ama não te fará uma surpresa depois disso, enfim... As correntes tem me irritado ultimamente.

LetsGo:

1. Nome Completo? Rita de Cássia Braga.
2. Por que lhe deram esse nome? Porque minha mãe fez uma promessa a Sta. Rita.
3. Você faz pedidos às estrelas? Sempre que vejo alguma nesse terrivel céu poluido de SP.
4. Quando foi a última vez que você chorou? Não lembro.
5. Gosta da sua letra? Não, de nenhuma delas.
6. Pão com o que? Geleia de coiaba :9.
7. Quantos filhos você tem? Nenhum.
8. Como se chamam e quantos anos eles têm? Então... o_O
9. Se você fosse outra pessoa, seria seu amigo!? The best Simplesmente!
10. Você é sarcástico? Você Acha?.
11. Saltaria de bungee-jump? Serve Asa Delta?
12. Desamarra os sapatos antes de tirá-los? Eu não amarro eles.
13 . Acredita que você seja uma pessoa forte? Sim, meu inconsciente é que não vale nada.
14. Seu sorvete favorito? Napolitano, difícil escolher um só ^^
15. Quanto calça? 33/34.
16. Vermelho ou Preto? Preto, básico.
17. O que você menos gosta em você? Minha complexidade e a mania de tornar tudo complexo, ser muitas coisas na teoria e poucas delas na prática...
18. O que mais gosta em você? Quando eu amo, eu amo de verdade!
19. De quem você sente saudades? Tanta gente, tanta coisa....
20. Descreva que roupa e calçado vc esta usando agora: Moletom rosa do mickey, meia calça listrada 'megacolorida' e shorts rosa do pijama por cima ^^(Juro!)
21. Qual foi a ultima coisa que comeu hj? Chocolate com recheio de marshmallow.
23. O que vc esta escutando agora? Carros passando na rua.
24. A última pessoa com quem falou ao telefone? Minha vó.
25. Bebida favorita? Coffee, coffee, coffee...
26. Esporte favorito para ver pela TV? Vôlei.
27. Comida favorita? Uma que engorde muito sem fazer mal... Tem?.
28. Filme de terror ou com final feliz? Algo entre as duas coisas... =/
29. Ultimo filme que viu no cinema e com quem? Era do gelo III, 3D, com a Suellen(saudades *-*)
30. Dia Favorito do ano? Sério q eu vou ter q escolher entre 365 opções? ¬¬'.
31. Inverno ou verão? Primavera.,. Nada de extremidades.
32. Beijos ou abraços? Depende MUITO de quem beija e de quem abraça.
33. Sobremesa favorita? Sorvete.
34. Que livro está lendo? A cabeça de Steve Jobs.
35. O que tem na parede do seu quarto? Pregada nela só uma prateleira, do meu irmão :p
36. O que assistiu ontem a noite na TV? Programa do Jô.
37. Onde foi o lugar mais longe que vc foi?! Dentro de mim.

Isso até que é divertido ^^

Beijooos, até mais!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Eu sou estranha... Muito estranha.

Ok, óbvio. Quem é que não sabia disso? Ultimamente tem afetado até o coração, meu coração ta muito estranho, parece que esta tirando uma com a minha cara, ele ta de brincadeira. Quando eu acho que encontrei o problema, o ponto certo que acarreta para todas as coisas serem como são na minha vida, eu ouço uma buzina igual a daqueles programas toscos. Uma buzina ensurdecedora e irritante. Eu errei de novo. O problema não está ai, a questão não é essa, todo mundo já entendeu, ou ninguém está entendendo nada. Comigo é assim que funciona. Eu sempre entendo errado.Hoje parei pra pensar, será que é errado mesmo? Ou é só o meu jeito de entender? O problema é que não da pro mundo todo entender o meu jeito de entender as coisas. Sou eu que devo entender o mundo. E é ai que eu me perco mais, enlouqueço mais e o que eu posso fazer pra impedir? Nada. Sou cada dia mais estranha até pra mim.
É bom deixar claro, não sou eu quem diz isso. Me julgam estranha com os olhos, os gestos e as fugas de mim. Não tenho culpa se às vezes eu sonho demais, invento demais e acabo criando uma grande ilusão. Não da pra controlar a vontade que eu tenho ser irreal. Não da pra evitar a mania de criar um mundo só meu por que pra ser irreal é preciso começar do zero, erguer a minha fantasia sozinha e desde o início. Não é por que eu olhei e escolhi você pra fantasiar comigo que você precisa, e o mundo precisa, saber dessa história louca. Eu só quero que quando eu cansar do meu brinquedo, quando eu achar que chega de me esconder no meu castelo, eu tenha alguém pra segurar na minha mão, pra me desejar boa semana, pra me fazer dar risada. Concordo que isso seja egoísta da minha parte, uma hora eu quero ninguém e outra hora eu quero ser o centro de tudo, mas eu sou estranha, lembra? Eu tenho vontade de ouvir o "eu amo você" mais cheio de vida, de intensidade, de loucura, de entrega e ao mesmo tempo tenho medo do que venha depois disso.
Hoje, entre tudo isso, eu sinto a minha bipolaridade latente. Eu quero, não quero. Amo, não amo. Tenho medo e certeza de estar errada, mas tenho coragem de mostrar pra todo mundo o quanto é correta a minha maneira de errar e o quanto é necessária. Talvez quando eu desistir de querer que aceitem a minha estranheza e passe a aceitá-la eu mesma eu me torne um pouco mais normal.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Caminho.

Caminhado por uma bela rua no centro da cidade (não bem ao centro, mas ali perto, o que é bem melhor), algo me chamou a atenção. Um edifício cujo jardim eu nunca havia reparado. Eram na verdade plantas enfeitando uma fachada, não era bem um jardim. Havia ali plantas diferentes, não pude identificar a espécie, mas eram lindas. Tinham pétalas, ou folhas, que lembravam a Espada de São Jorge, porém eram bem verdes sem mancha alguma, um verde claro e forte, uniforme e aveludado. Em suas pontas havia espinhos, escuros e avermelhados davam a impressão de um perfeito degrade do vermelho claro ao preto, da extremidade finíssima da ponta até a parte mais grossa que se unia a folha. Eles eram atraentes, convidativos e provocantes. Dava vontade de tocá-los até. Uma dor aguda e um dedo sangrando pareciam um preço comum a se pagar diante do que se via. Todos esses detalhes foram vistos sem uma pausa nos passos, continuei no mesmo ritmo, apenas baixei os olhos para enxergá-las. Dali em diante o caminho era cercado de outros edifícios, na verdade eles estavam em um só lado da avenida, na calçada por onde eu caminhava. O lado oposto era uma imensa praça e todo o resto eram carros e pessoas apressadas atropelando outras nem tanto que só andavam apreciando as belas coisas dali. O chafariz que tanto gosto estava desligado. Fiquei indignada. Passei por bancas de jornal, padarias, bancos e restaurantes. Um deles em particular O Restaurante. É curioso que todas as vezes que passo por ali naquele horário alguém está abrindo o portão, não todo, apenas uma parte dele, espaço suficiente para uma pessoa ou um carro. Por mais que seja porque algum funcionário está entrando, iniciando seu expediente tenho a impressão de que é um convite para que eu entre. Não, obrigada. Os momentos ali são de se passar acompanhada, se já os passei com alguém não quero renovar lembranças passando outros sozinha. Após o restaurante vem a parte mais triste do caminho. Está frio, neva. É uma neve invisível, posso senti-la apenas, não consigo vê-la. Mas neva, pode acreditar. O frio combina com a tristeza de passar em frente ao hospital, ou um posto de saúde, não sei ao certo. Não que um hospital seja assim tão triste, mas aquele em especial, não é nada simpático. Seguindo o caminho torna-se chato. Detesto atravessar avenidas enormes, dessa vez o farol não demorou muito para fechar e eu pude passar e tropeçar bem no meio do trajeto. Sem gafes não seria eu. Alem de chato o caminho é feio depois da avenida. Ando um pouco mais e viro a esquina naquele famoso cruzamento. Começo a subir a rua. É nessa hora que minha alma fica e o meu corpo segue. Fica mais difícil caminhar. Não sei se pela falta da alma, mas tudo parece mais pesado e frio. Até o Sol se esconde. Minhas mãos cada vez mais geladas quase pedem para que eu volte. Impossível. Tudo em mim está triste agora. Não importa o tamanho do motivo ou até mesmo o próprio motivo. Se há algo que detesto esconder ou mascarar são os meus sentimentos. Sinto uma vontade maluca de voltar e não espetar apenas o dedo naqueles espinhos, mas as duas mãos inteiras. Parecia um preço digno de se pagar, um preço necessário. Eu preciso me mostrar à diferença entre o sacrifício e a imbecilidade. Será que vale a pena todo tipo de sofrimento assim como os espinhos daquela flor? Chego ao meu destino. Alem da alma é a vez do meu coração ficar do lado de fora. E eu queria muito, mais do que nunca, voltar aquele restaurante e ver você me fazendo esquecer essas besteiras.

sábado, 13 de junho de 2009

Coragem para amar mesmo sem coragem.

Em cada rosto eu via coisas que me faziam acreditar na minha felicidade, mas porque no seu eu não conseguia enxergar nada? Eram meus olhos que olhavam errado ou eram os seus que não me encaravam? Eu continuei olhando até você sorrir e ai me enchi de todas as coisas estranhas que me assustam, mas são tão boas que eu nem sequer consegui sentir o medo de verdade, eu senti a paz, no instante do teu sorriso. E eu realmente pensei que eu merecia aquilo, não mais que aquilo. Respirei e me contentei em estar longe, mas pelo menos estar. O que eu sentia não podia ser descrito e eu ainda queria poder levantar e andar mais aquele metro que me separava de você. Eu tentava controlar enquanto andava com medo, amor, alegria, dor, até chegar e dizer um oi qualquer, sentir teu cheiro e te abraçar, trocar palavras e se despedir. Você vai embora e pronto, tudo esta igual de novo. Talvez o que eu espero é um abraço seu que me mude a vida. Isso existe? Começo a não acreditar nem no amor. E a parte de não acreditar não me soa tão importante, mas eu tive a sensação, a leve sensação, de que quando eu te abracei, faltava você. Você estava lá, mas não estava, eu abraçava mais e estava totalmente lá, pedindo um pouco mais. E ainda não consigo acreditar que já fiz isso tantas vezes, tantas vezes abracei com tudo que tinha e não senti você me abraçar. Tantas vezes eu jurei nunca mais fazer isso, mas o número de vezes que descumpri a promessa, foi incrivelmente maior. E sinceramente, eu não encontro um motivo para te convidar tanto para tudo, será amor ao não? Amo, odeio, amo, odeio, amodeio? E vou vivendo cada um dos meus dias, sentada naquela escada esperando você voltar de onde eu nunca sei, indo pra onde eu nem posso imaginar, um onde que com certeza é bem longe de mim, bem fora do meu mundo, bem distante do que eu ainda posso alcançar.E mal eu acredito em mim, então não se esforce em conseguir acreditar, mas eu ainda assim tento te alcançar, em pensamento e em sentimento. Eu te procuro até mesmo na luz do sol, tem horas que eu vejo teu reflexo e era só de tanto pensar em você. E eu tento alcançar o lugar para onde você vai. Para onde você vai? Mais uma vez pra longe de mim, pro fim de papo, por já chega sai fora daqui. Se um dia eu pude acreditar com todas as forças que você sentia muito amor por mim isso é o que me faz ainda ter um restinho da coragem mais inútil de se sentir. É tão inútil que nem mesmo serve mais, passou do prazo de validade. Será que se eu levar na assistência técnica dos sentimentos, eles trocam por quilos {ou será litros?} de coragem novinha em folha, de te amar profundamente e irrevogavelmente?Pra que? Voltemos ao início da cena, pra talvez ser mais realista. Você chega, eu te olho e você sorri. As pernas bambas o coração acelerado. Tomo coragem de ir até você, na verdade só obedeço a vontade. Seu perfume é bom eu te abraço cheia de amor, você me abraça simplesmente. A gente conversa, eu sou meio chata, eu sei. Outro abraço pra se despedir e você vai embora. Eu sinto que ta faltando alguma coisa que eu não disse ou não fiz. Apenas isso. Tudo isso. Eu, você e mais um dia sem ninguém.E eu aqui tentando lembrar todos os detalhes, sem conseguir lembrar nitidamente de nada, decerto culpa da dor das lágrimas que rolaram e cicatrizaram dentro do meu peito. Eu não preciso de coragem para sofrer, então não preciso de coragem para te amar e ponto final.