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domingo, 22 de maio de 2011

Aquela História

Estranho é vir aqui escrever depois que tudo já passou. Estranho eu fazer disso tudo algo tão grande e cheio de significados. Mentira, eu sempre faço isso. E dentro da minha confusão inteira você é uma das maiores perguntas. Por que você com todo o seu jeito oposto ao meu, com toda a sua irregularidade irritante? Você foi a vontade secreta da minha juventude, tão secreta que nem eu sabia direito. Eu só queria. Seu abraço, seu telefonema, suas brincadeiras, sua presença. O tempo todo.

Você disse que meus olhos eram lindos ao sol. As pessoas nunca reparam como a cor dos meus olhos muda ao Sol, elas nunca percebem ou nunca falam. Você falou e eu não esqueci, você já esqueceu, provavelmente. Certamente. E naquele outro dia, tão especial, se você não aparecesse, realmente não teria festa.

Quando você voltou, ou eu voltei, só conseguia me lembrar do quanto éramos felizes sem saber comendo num carrinho de cachorro-quente em frente ao colégio. Mas dessa vez eu já sabia que tudo que existia entre nós, não era só o que já havíamos feito.

E deixei você me beijar, e beijei você, e te ouvi falar, e não soube o que dizer. Falei demais, tive medo, fugi. E voltei pra te beijar de novo, aí comecei entender. Mas enquanto isso tudo acontecia você estava tão distante, dentro demais de você pra olhar pra dentro de mim. O espaço que a gente dividia era tão certo debaixo do edredom, era a forma incrível como tudo e toda parte de nós se encaixava. Eu sempre te deixei ir tão longe, mas tudo acabava tão banal e definitivo. Fui embora. E voltei pra te beijar. De novo. Aí não entendi mais nada. Não entendi nem de onde tinha tirado as expectativas e nem porquê sempre acabava voltando. Decidi não voltar mais. Não é impossível, porque não deu tempo de ser amor, mas é difícil porque nunca deixou de ser bom, porque eu encontrei algo que eu precisava e que tinha sem ter ao mesmo tempo.

_________________♥_________________

Esse é um tipo de história que não termina. Daí ficamos a perguntar coisas do tipo: O que passou pela cabeça da pessoa enquanto eu vivia sozinha o encanto todo? Por que não tentava entender como eu tentei? Eu estava no carro e uma música traduziu isso tudo, sabe aquilo que de repente te conforta? Me deu vontade de vir aqui e escrever, não por que tenha sido triste, sabe aquelas coisas que simplesmente são, dispensam adjetivos? Mas por algum motivo aquela letra me fez entender... “Talvez você seja feliz sem saber.”

O que você quer? / O que você sabe? / Não é fácil prá mim / Meu fogo também me arde / Às vezes / Me vejo tão triste.../ Onde você vai? / Não é tão simples assim / Porque às vezes / Meu coração não responde / Só se esconde e dói... / Por favor não vá ainda / Espera anoitecer /A noite é linda / Me espera adormecer / Não vá ainda / Não, não vá ainda... / Me diga como você pode / Viver indo embora / Sem se despedaçar / Por favor me diga agora / Ou será! / Que você nem quer perceber? / Talvez você / Seja feliz sem saber...

Christian Oyens / Zélia Duncan

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ela IN-teira

Ela esperava, nunca falava, como se observasse a vida e as coisas de modo que sempre aprendia, mas sempre guardava o entendimento dentro de si. Observando ela aprendeu que a essência da vida vem de dentro para fora e que não adiantava esperar como sempre fazia. Era preciso triturar o mundo e as coisas no seu processador interno e jogar tudo para fora, para ai então deixar com que o seu jeito particular de fazer isso pudesse mostrar aos outros quem ela era.

Ela queria alguém que chegasse e a pudesse fazer feliz, mas ninguém podia se ela não gostasse de ser como era, entendeu. Saiu em busca de fazer a própria felicidade como quem dá presentes a si mesma, como quem brinca com os brinquedos feitos pelas próprias mãos. Esse era o caminho certo, pois enquanto não soubesse dar-se os presentes certos, enquanto não encontrasse o modo de construir o brinquedo que mais a faria sorrir ninguém no mundo todo poderia fazer isso por ela e ela também não poderia fazê-lo por ninguém. A partir desse dia a menina tornou-se muito mais forte. Pôde encontrar nas pessoas motivos encantadores pelos quais se apaixonar. Não teve medo de se apegar pois era segura. Viu que perder fazia parte de vida assim como a dor particular que cada uma causava e viu também que era necessário deixar-se sofrer. A tristeza tem começo meio e fim, dura um tempo, não se cura de uma vez. Distrair-se só fazia com que ao fim de cada distração o tempo da tristeza partisse do zero de novo e demorasse mais. Não era por conta dos sofrimentos que a felicidade deixaria de existir.

Havia ainda no mundo muitas coisas que a deixavam descontente, mas todos os dias, num exercício milimetricamente controlado, olhava para dentro e encontrava um jeito de não deixar o que a aborrecia afetar de forma negativa suas energias Algumas vezes chegava a conclusão de que se mudasse um conceito, uma percepção, um comportamento dela aquilo a agradaria muito mais sem ter deixado de ser o que sempre foi. Fazia sentido dizer que as coisas mudavam quando ela mudava.

Foi vivendo dessa maneira, um dia depois do outro, uma coisa de cada vez. Sentiu o ar entrar mais leve no peito, sentiu os momentos difíceis com mais controle para poder lutar. Estava pronta para aprender ainda muitas coisas, mas era como se uma das partes já estivesse cumprida. Aquela parte de aprender que não importa quantas pessoas estivessem ao seu lado e nem quantas pessoas a fizessem bem ou mal, o que sentia só ela sabia, só ela entendia e, principalmente, só ela controlava.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Palavras de presente

Ai de mim se eu não escrevesse esse texto. Mais uma vez sendo desafiada a escrever sobre coisas boas. Deus, isso está se tornando um hábito. Nada de aflições, arrependimentos, medo. Nada disso. Estou aqui para falar de coisas boas, e quantas. O que falar sobre alguém que resolveu ficar mais velho junto com o planeta? Ou quase. No dia 31 de dezembro há mais do que se comemorar do que a passagem de um ano para o outro, pelo menos para mim.
A primeira vista ele tem uma aparência séria. “Quando te conheci pensei que era bravo!” Lembra? Mas depois, muito rapidamente, digamos assim, pode se perceber a alegria toda que brota daquela pessoa. O mau humor matinal (às 10h da manha, vejam bem) é característico, porem sem demora tudo vira motivo para brincar, tudo vira piada, todo mundo vira personagem e a vida fica leve de mais. Uma infinidade de apelidos saem daquela cabeça, cada idéia maluca vem não sei de onde, uma torneirinha de asneiras das bem aproveitáveis. Maquininha de palavras, fala, fala, fala e não para. Quando fixa numa idéia, numa provocação, não há quem o faça parar. Em qualquer momento que esteja quieto de mais é certo que está tramando, inventando, criando. Inteligência nobre de publicitário. Publicitário que é entre todas as outras coisas que já foi. Entre suas milhares de histórias já passou por muitos lugares, já conheceu muitas pessoas e já foi tantas coisas que parece que nunca vai acabar de contar tudo que tem pra contar.
Chato. Nem tem graça falar de você. Tanta coisa que não cabe num texto só. Só posso falar de verdade da alegria que foi, e é, ter conhecido você, ter aprendido com você, ter dado tantas risadas, ter raptado sua câmera, não ter travado a porta do seu carro, ter que guardar todas as coisas malucas que você inventa e querer que isso tudo continue acontecendo por muito tempo. Obrigada por tudo. Por ser assim tão alegre, implicante, por mostrar que a vida é bem maior nas coisas pequenas, vale muito mais nos detalhes. Feliz aniversário. Espero que sua ansiedade tenha te deixado ler só no dia 31, rs. Que tenha um dia lindo de aniversário e um ano lindo pela frente. Muita saúde, muita paz e muita luz nesse coração que é maior do que você mesmo. Adoro você, Gilsonzovisk!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Anjo Torto

Pude vê-lo saltar a janela assim que abri os olhos pela manha. Veio, mais uma vez, bagunçar minhas gavetas, rasgar minhas anotações, tomar o leite da geladeira e comer o ultimo pedaço do bolo de chocolate. Revirou tudo, uma bagunça das que não se pode imaginar. São nessas horas que o meu anjo costuma aparecer, quanto está tudo certo, caminhando pra organização e normalidade. Eu estou feliz, segura, estou sentindo que é o caminho certo e ele vem e me enche a cabeça de dúvidas e o tapete de restos de chocolate.
Ei, anjo, para de tentar me fazer acreditar que a vida é uma aventura, para de tentar me dizer que nada precisa ser resolvido. Chega, não quero mais que você me faça mudar tanto de opinião, não quero mais que me faça esquecer assim tão rápido, não venha mais uma vez desarrumar a minha casa e a minha vida, porque agora eu decidi que quero torradas e margarina no café da manha, quero flores na varanda e pinguim na geladeira. Chega, chega de aventura, entendeu?

Você deveria me reger, guardar, governar e iluminar, não é assim? Tudo bem que isso você até faz, anjo, mas você não me ouve, é muita ousadia sua achar que pode brincar com a minha vida desse jeito. É tudo tão de repente, tão assustador. São tantas novidades, tantos medos do que pode vir depois e depois, como se eu sempre esperasse um baque, um chacoalho, uma cambalhota.

Eu vou fechar todas as janelas, vou trancar as grades e as portas. Você precisa aceitar que não dá mais, preciso entender todas essas coisas, preciso de tempo, de um bom tempo numa casa arrumada e colorida, para respirar, pensar sem essa intensidade toda, sem essas surpresas que você costuma me arrumar.

Tudo que eu precisava na vida, além de toda essa confusão, era de um anjo torto que tentasse me fazer acreditar que a vida é uma manhã de domingo. Você acorda, ainda com todas aquelas sensações do sábado, sabe que tudo vai acabar e que precisa enfrentar uma segunda feira, mas já que é domingo mesmo você acaba inventando alguma coisa pra fazer, qualquer coisa sem planos, e acaba sendo muito feliz. Para de mentir pra mim, anjo!

terça-feira, 29 de junho de 2010

A sua garagem

Naquele dia eu perdi todas as esperanças como se fosse incapaz de, sequer querer, lutar por alguém que não fosse você. Pensei em todos os minutos que desperdicei dentro do carro na garagem do seu apartamento pensando em tudo que eu queria te falar, pensando em subir, em me jogar, em, quem sabe, fazer você sentir culpa por aquela dor que eu inventava em mim todas as vezes que a gente se despedia.

No fundo, só no fundo mais fundo de mim, eu queria que você sofresse, muito, eu queria que você se arrependesse de tudo. Mas você não fez nada, você apenas não me amou. Você não merece sofrer e eu não mereço você. Então eu saio com o carro da sua garagem e com o meu coração mole, pulsante e ardente, da sua vida.

Espera, porque você me deixa guardar o carro na sua garagem? Porque o seu porteiro me conhece e para quantos outros porteiros eu vou dar o bom dia mais sincero e gigantesco só por ter passado a melhor noite da minha vida no prédio onde ele trabalha? Você até me deixou dizer que violetas só ficam boas na lavanderia da minha avó e que margaridas combinariam muito mais com o seu apartamento. Eu quase comprei as margaridas. Eu quase amei as violetas, o quadro estranho e a vista pra lugar nenhum da janela do seu banheiro, mas na verdade tudo fazia parte de mar você.

No caminho pra minha casa ainda penso em te ligar para pedir encarecidamente que você nunca mais sorria me olhando assim de lado, demonstrando o quanto você gosta de mim, porque eu abomino esse seu gostar. Abomino que ele me torne idiota o tempo todo e eu abomino que você acredite que gostar seja suficiente. Você promete? Promete que nunca mais vai fazer assim e que a partir de hoje, sem caçoar, você vai me deixar mudar de opinião e amar aquela sua blusa azul que eu tanto odiava. E quero passar a amá-la porque não quero ter que fingir que te odiei diante de todas as blusas azuis que eu ainda encontrar pela frente. Promete que não vai rir de mim?

Deixa pra lá, agora eu só quero ficar sozinha para entender porque eu fui fazer de você a pior besteira de todas e porque isso tudo dói tanto. Eu preciso entender porque é tão difícil aceitar que acabou. Talvez seja porque eu jamais vou conseguir substituir o seu personagem que vive comigo, dentro da minha cabeça, as histórias que um dia eu inventei e nós ainda não vivemos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Caminho.

Caminhado por uma bela rua no centro da cidade (não bem ao centro, mas ali perto, o que é bem melhor), algo me chamou a atenção. Um edifício cujo jardim eu nunca havia reparado. Eram na verdade plantas enfeitando uma fachada, não era bem um jardim. Havia ali plantas diferentes, não pude identificar a espécie, mas eram lindas. Tinham pétalas, ou folhas, que lembravam a Espada de São Jorge, porém eram bem verdes sem mancha alguma, um verde claro e forte, uniforme e aveludado. Em suas pontas havia espinhos, escuros e avermelhados davam a impressão de um perfeito degrade do vermelho claro ao preto, da extremidade finíssima da ponta até a parte mais grossa que se unia a folha. Eles eram atraentes, convidativos e provocantes. Dava vontade de tocá-los até. Uma dor aguda e um dedo sangrando pareciam um preço comum a se pagar diante do que se via. Todos esses detalhes foram vistos sem uma pausa nos passos, continuei no mesmo ritmo, apenas baixei os olhos para enxergá-las. Dali em diante o caminho era cercado de outros edifícios, na verdade eles estavam em um só lado da avenida, na calçada por onde eu caminhava. O lado oposto era uma imensa praça e todo o resto eram carros e pessoas apressadas atropelando outras nem tanto que só andavam apreciando as belas coisas dali. O chafariz que tanto gosto estava desligado. Fiquei indignada. Passei por bancas de jornal, padarias, bancos e restaurantes. Um deles em particular O Restaurante. É curioso que todas as vezes que passo por ali naquele horário alguém está abrindo o portão, não todo, apenas uma parte dele, espaço suficiente para uma pessoa ou um carro. Por mais que seja porque algum funcionário está entrando, iniciando seu expediente tenho a impressão de que é um convite para que eu entre. Não, obrigada. Os momentos ali são de se passar acompanhada, se já os passei com alguém não quero renovar lembranças passando outros sozinha. Após o restaurante vem a parte mais triste do caminho. Está frio, neva. É uma neve invisível, posso senti-la apenas, não consigo vê-la. Mas neva, pode acreditar. O frio combina com a tristeza de passar em frente ao hospital, ou um posto de saúde, não sei ao certo. Não que um hospital seja assim tão triste, mas aquele em especial, não é nada simpático. Seguindo o caminho torna-se chato. Detesto atravessar avenidas enormes, dessa vez o farol não demorou muito para fechar e eu pude passar e tropeçar bem no meio do trajeto. Sem gafes não seria eu. Alem de chato o caminho é feio depois da avenida. Ando um pouco mais e viro a esquina naquele famoso cruzamento. Começo a subir a rua. É nessa hora que minha alma fica e o meu corpo segue. Fica mais difícil caminhar. Não sei se pela falta da alma, mas tudo parece mais pesado e frio. Até o Sol se esconde. Minhas mãos cada vez mais geladas quase pedem para que eu volte. Impossível. Tudo em mim está triste agora. Não importa o tamanho do motivo ou até mesmo o próprio motivo. Se há algo que detesto esconder ou mascarar são os meus sentimentos. Sinto uma vontade maluca de voltar e não espetar apenas o dedo naqueles espinhos, mas as duas mãos inteiras. Parecia um preço digno de se pagar, um preço necessário. Eu preciso me mostrar à diferença entre o sacrifício e a imbecilidade. Será que vale a pena todo tipo de sofrimento assim como os espinhos daquela flor? Chego ao meu destino. Alem da alma é a vez do meu coração ficar do lado de fora. E eu queria muito, mais do que nunca, voltar aquele restaurante e ver você me fazendo esquecer essas besteiras.

domingo, 7 de junho de 2009

A 18 anos atrás.

No Dia da Liberdade de Imprensa no ano de 1991 nasceu uma bolinha pequena e cor-de-rosa. Eu. E tantas coisas aconteceram de lá para cá. Fui crescendo e me tornando essa menina sensível, as vezes até demais, sonhadora, amante, colorida e cinza também! Eu começo a pensar em tantas coisas que já me aconteceram, em tantas pessoas que já passaram pela minha vida e fica a sensação de que aconteça o que acontecer eu quero ser essa menina brincando no balanço e mostrando a língua pra foto, por que ela sim é a essência do que há em mim.

Agora eu vou fazer um brigadeiro, servidos?

quinta-feira, 19 de março de 2009

Um dia que não vai passar.

De repente acontece um turbilhão de coisas na vida da gente e muda tudo. De um dia pro outro nada mais é do jeito que sempre foi. Ciclos que chegam ao fim. Poucos encerram assim de maneira tão linda. Foram quase três anos e meio e eu resumo todos esses dias, meses e momentos mais do que especiais em APRENDIZADO. Só tenho a agradecer pelos momentos maravilhosos que passei dentro do Colégio Dr. Clóvis Bevilácqua. Cada um sabe a que da valor de verdade e esses três anos foram grandiosamente dignos de ser um dos maiores valores da minha vida. Cada aula, cada pessoa, cada lição, tudo vai ficar ligado em mim como uma espécie de veia. Eu fui conhecendo cada cantinho e cada rosto dali, fui descobrindo olhares, medos, dificuldades e vitórias. Ganhei amigos de verdade, lá ninguém pode passar por mim insignificante, é como se tudo fosse uma coisa só. Uma redoma que guarda os mesmos sonhos, as mesmas alegrias e tristezas. Uma história vivida no passado, presente e futuro ao mesmo tempo. Eu já passei dias inteiros lá dentro. Eu já quis sair correndo de lá. Aprendi a dar valor ao que merece valor, aprendi que pessoas vêm e vão e que só depende de nós fortalecer o que for pra ficar, eu aprendi até o que é amar. Aprendi que não se deve confiar inteiramente em todo mundo que sorri bonito, que é preciso cair muitas vezes pra aprender levantar, que respeito e bom senso são umas das coisas que podem mudar o mundo. Aprendi a agradecer e senti pela primeira vez o tamanho da palavra gratidão. Tenho até medo do tamanho da minha saudade, só que lá me ensinaram também que saudade é uma coisa bonita de se ter. Desci as escadas e atravessei a portaria como fazia todos os dias. Meus pés tinham decorado o caminho. Senti uma alegria doce de missão cumprida. Da vontade de lembrar um a um, mas é tanta gente. Eu prefiro o silêncio de um agradecimento sem despedida. Algo me diz que entre mim e essa história ainda não puseram um ponto final.


Fotos.









Discurso.

Estive pensando em o que dizer aqui e me vieram na cabeça duas palavrinhas: Inteligência e sabedoria. Pensei na diferença entre essas palavras e se tem uma coisa que eu aprendi foi essa diferença. Durante esses três ou quatro anos convivemos com pessoas que nos quiseram fazer sabias e não inteligentes. Pessoas que se dedicaram em formar não alunos com excelentes notas e sim alunos com excelentes experiências. Experiências que formavam caráter, construíam honestidade para que fossem entregues ao mercado profissionais capazes de fazer um mundo um pouco melhor. Das broncas das tias que nos ensinavam a conservar a sala e respeitar os professores até grandiosidade de desenvolver projetos como o evento de “Valores Sociais”. O cuidado do nosso diretor e das nossas coordenadoras para que tudo que nos fosse ensinado tivesse um propósito mais do que construtivo. Talvez no início nós não entendêssemos isso, mas agora só temos a agradecer imensamente pelos universitários conscientes que somos hoje, por todas as lições de casa que na verdade eram lições de vida e por todo o carinho, atenção e dedicação com que nós fomos tratados. Graças aos que ergueram o colégio, que o mantiveram e o mantém até hoje, a todos que trabalham por ele sem nenhuma exceção, nós estamos nos formando sábios e não apenas inteligentes.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Caranguejo 'bixo' é!

Faculdade... a gente pensa que é uma coisa e nunca é, eu já deveria ter aprendido, mas eu insisto em imaginar antes. As vezes me decepciono, sempre me decepciono. Dessa vez foi melhor do que eu pensava. Eu amei a aula, as pessoas, o ambiente, a bagunça. Eu senti aquele gostinho de conquista, de mundo novo, de descoberta. Eu lembrei de você em cada canto, eu esqueci de tudo. Pela primeira vez eu não quis voltar pra casa. Enfim, serão quatro anos de Comunicação Mercadológica, quatro anos de Caranguejo, quatro anos de Metodisney, de sangue laranja correndo na veia.


É, eu fiquei verdeee, mas valeu a pena. Pagamos os veteranos para que eles nos escoltassem, eramos as bixetes mais mandonas da Metô. Choveu, ventou, o cabelo grudou na tinta, a tinta espirrou na roupa e tinha gente em situações muito piores. Eu tenho certeza que eu não quero contar pros meus netos que eu assisti todas as aulas e voltei limpinha da faculdade no meu 1º dia de aula.
BeijO especial para os novos amigos, pra Gê e pra vocês!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Uma calcinha cor de rosa

Pronto. Era tudo que eu precisava: uma calcinha velha e rosa para a virada do ano. Porque rosa eu não sei, mas eu sempre virei o ano de calcinha rosa. Desta vez rosa choque. Porque velha? Porque sim! Precisa ser velha, muito velha, como sempre.
Mais uma vez tive um conflito nervoso com a blusa e o sapato. Tenho poucos sapatos, isso já é fato. Ou talvez pouca inspiração, mas deixa isso pra lá. Minha roupa era cinza novamente e se não era pra inspirar ou atrair qualquer coisa pro ano que estava por vir preferi pensar que era por luto pelo ano que passou. Não que ele tenha sido somente coisas ruins, mas o luto era justamente pras coisas ruins que nele tinham acontecido. As boas eu guardei no coração. Ainda assim faltava alguma coisa.
Como sempre nessas festas chega a hora de reencontrar pessoas, encontrar pessoas, se despedir de pessoas e tropeçar em pessoas, latas de cervejas e afins. Cachorrinhos não comemoram ano novo? Não vi nenhum por lá. As pessoas muitas vezes me irritam. A multidão, aquela garoa fina, típica dessa época do ano, ou dos anos, já que é entre um e outro que sempre chove.
Eu não sei entre quantas mil pessoas eu estava, e era mesmo melhor não saber pra não ter mais aflição. O que importa é que eu estava extremamente sozinha. Sim, sozinha. Aquele novo me sufocava, estar presa me sufocava e entre mais de não sei quantas mil mãos só poder segurar em um par delas, pertencentes a um só tronco. E entre mais não sei quantos mil troncos, incluindo as árvores, só poder abraçar um deles sem culpa me sufocava.
Parecia uma premonição cada segundo do que ia acontecer. Eu sabia, sempre sabia, pra onde ir, onde ficar, o que fazer, que hora parar. Não tinha nada de diferente e ao mesmo tempo eu estava fora daquilo tudo, assistindo meu Feliz ano Novo de camarote enquanto tudo acontecia como sempre acontecia. Era exatamente isso, uma noite da qual eu não participei. Na qual eu estava sem estar. Mas eu queria, em cada segundo eu queria entrar naquela noite e poder respirar o mesmo ar que respirava toda aquela multidão. Mesmo que isso me causasse raiva.
Naquele camarote escuro onde eu estava isolada do mundo, mas podia ao menos ver em volta e não desperdicei esse recurso. Das minhas premonições uma delas era que ele estava ali e confesso que desde o início eu já estava esperando, procurando. E num golpe de olhar na mais provável direção onde eu poderia lhe enxergar eu me senti pela primeira vez dentro daquela noite. Eu o vi e meu coração disparou da maneira teimosa e irritante que ele costuma disparar. Me senti viva, pude respirar toda aquela multidão sem nojo, sem medo e dentro da história, parte do mundo, fora do meu camarote. Estava lindo como sempre, aquela boca, aquele cabelo. Ela era alto e forte, era homem.
Numa fração de segundo o golpe de felicidade se tornou golpe de frio, de medo, de lembranças e arrependimentos. A única mão que eu tinha arrastei pra um lugar longe dali, arrastei pra dentro da bola de vidro que me protegia e lá fiquei sozinha outra vez. Cada vez que te olhava, cada vez que te via de longe e você não me via eu saia e entrava naquela história. Fiquei com tudo que havia sobrado, com o resto do nosso fim. Fiquei imaginando por quantas vezes aquilo ia se repetir e com uma imensa vontade de ter em mãos um roteiro de viagens, estava mais do que na hora de passar o ano novo em outra praia.

тє×тo bєєєєєєm vєℓнo, mαร єรρєro qυє goรтєm є comєитєєєm ;) υℓтımoร dıαร dє αℓgυmαร coıรαร є ρrımєıroร dıαร dє oυтrαร. αρєรαr dє тυdo єυ αdoro mυdαиçαร, รєjαm єℓαร boαร oυ rυıиร.

иᾶo ρoรรo єรqυєcєr. dıα 01/02 ƒoı o dıα do ρυbℓıcıтάrıo. ραrαbέиร ρrα иóร!

BeijInhos!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Saudade que não pode

Na verdade nem eu tinha percebido, mas sonhei com você praticamente todas as noites. Fiz de tudo pra pensar em você em todos os momentos, todos eles. Mais uma vez eu ensaiei te contar todas as coisas. Não sei por que tolice minha, eu achava que o que me fazia rir seria importante pra você. Teve uma hora que eu fiz de propósito. Querendo por querer eu apertei bem forte aquele amuleto e pensei tão forte em você, se é que pensamento tem força, que tive certeza de que você também estava pensando em mim naquela hora. Tolice a minha.
Pensando bem eu nem tinha percebido, mas falava em você todas as vezes que surgia uma oportunidade, ou mesmo que não surgisse. Eu falava de você, um assunto que pra ninguém interessava, mas que pra mim era o único que tinha graça e valia à pena. Eu pensava em o que você etária pensando sobre tudo a minha volta e não parei sequer um segundo pra pensar sobre o que eu pensava sobre tudo aquilo. Mas o melhor, o melhor de todas as coisas é que eu nem percebi, nem me dei conta. Eu não estava nem aí. E nada disso me fez mal, nada disso me sugou. Se eu for lembrar pedacinho por pedacinho não foi só em você que eu pensei. Você era parte de mim e não era mais o todo. A diferença é que a parte que você ocupa é uma das mais importantes. Mesmo sendo importante abriu espaço pra tanta gente, pra tanta coisa que não importa quantas vezes eu pensei em você no passado, o que me faz lembrar é estar pensando em você no presente. E que merda é essa? Eu não sofri, não to sofrendo, isso não é normal e não tem graça nenhuma. Já me deixa assustada você ser apenas alguém e não o meu alguém.Já era o sexto dia. Eu tinha sido incrivelmente forte durante seis longos dias e no sétimo dia eu me peguei sem equilíbrio. Eu tive medo, como sempre. Eu fui ao banheiro, engoli uma vontade imensurável de chorar que de tão gigante arranhou com violência a minha garganta. Resgatei na bolsa aquele livro, tentei ler ouvindo sua voz, tentei sentir que você estava ali bem perto. Usei o perfume que você gosta, segurei o amuleto, engoli pela milésima vez o choro dolorido. Eu senti uma fisgada no peito, tão forte que rebateu na palma da mão e feriu a ponto de eu pronunciar um “Ai”. Todas às vezes de não ter percebido, todo amor que durante aqueles seis dias senti sem me assaltar, toda a falta de culpa por sonhar, falar e pensar em você a todo tempo. Tudo foi por água a baixo e eu senti a saudade que não podia. Era muita saudade, tanta que me fez sofrer e ai a vida teve um pouco mais de graça. Todo o amor comum se transformou na saudade que eu não podia sentir, mas senti. E foi a saudade mais bonita da minha vida. Se na hora tive medo agora tenho orgulho desse segredo. Eu senti a saudade proibida mais linda da minha vida, e senti por você.
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Começando
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É difícil escolher como começar, mas tenho certeza de que escolhi certo desta vez. Espero que gostem e sejam muito bem-vindos hoje e sempre.
BeijOtcHau!