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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ela IN-teira

Ela esperava, nunca falava, como se observasse a vida e as coisas de modo que sempre aprendia, mas sempre guardava o entendimento dentro de si. Observando ela aprendeu que a essência da vida vem de dentro para fora e que não adiantava esperar como sempre fazia. Era preciso triturar o mundo e as coisas no seu processador interno e jogar tudo para fora, para ai então deixar com que o seu jeito particular de fazer isso pudesse mostrar aos outros quem ela era.

Ela queria alguém que chegasse e a pudesse fazer feliz, mas ninguém podia se ela não gostasse de ser como era, entendeu. Saiu em busca de fazer a própria felicidade como quem dá presentes a si mesma, como quem brinca com os brinquedos feitos pelas próprias mãos. Esse era o caminho certo, pois enquanto não soubesse dar-se os presentes certos, enquanto não encontrasse o modo de construir o brinquedo que mais a faria sorrir ninguém no mundo todo poderia fazer isso por ela e ela também não poderia fazê-lo por ninguém. A partir desse dia a menina tornou-se muito mais forte. Pôde encontrar nas pessoas motivos encantadores pelos quais se apaixonar. Não teve medo de se apegar pois era segura. Viu que perder fazia parte de vida assim como a dor particular que cada uma causava e viu também que era necessário deixar-se sofrer. A tristeza tem começo meio e fim, dura um tempo, não se cura de uma vez. Distrair-se só fazia com que ao fim de cada distração o tempo da tristeza partisse do zero de novo e demorasse mais. Não era por conta dos sofrimentos que a felicidade deixaria de existir.

Havia ainda no mundo muitas coisas que a deixavam descontente, mas todos os dias, num exercício milimetricamente controlado, olhava para dentro e encontrava um jeito de não deixar o que a aborrecia afetar de forma negativa suas energias Algumas vezes chegava a conclusão de que se mudasse um conceito, uma percepção, um comportamento dela aquilo a agradaria muito mais sem ter deixado de ser o que sempre foi. Fazia sentido dizer que as coisas mudavam quando ela mudava.

Foi vivendo dessa maneira, um dia depois do outro, uma coisa de cada vez. Sentiu o ar entrar mais leve no peito, sentiu os momentos difíceis com mais controle para poder lutar. Estava pronta para aprender ainda muitas coisas, mas era como se uma das partes já estivesse cumprida. Aquela parte de aprender que não importa quantas pessoas estivessem ao seu lado e nem quantas pessoas a fizessem bem ou mal, o que sentia só ela sabia, só ela entendia e, principalmente, só ela controlava.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A epifania, ou uma das.

Esses dias ando me sentindo muito bem. Como há tempos não sentia eis que está aqui outra vez uma chamasinha que me faz dar risada das minhas loucuras. Passei tanto tempo tentando entender, tentando aceitar enquanto viver dependia apenas de estar conectada a mim mesma. Cada sentimento, casa sensação, cada palavra que me atingia... Eu olhei pela janela e o Sol nascente entre as árvores era um novo Sol. Hora de dar bom dia um novo eu.
Vez ou outra eu ainda quero chorar no meu travesseiro, descansar do mundo durante todo final de semana, porque, afinal, ninguém é perfeito, graças a Deus. A primeira lição que se deve aprender na matéria Ser Feliz é que não se equilibra nada apenas com coisas boas e que faz parte de ser feliz se permitir, hora ou outra, ser embebida pela tristeza.
Na verdade a gente nunca entende tudo de uma vez. Por exemplo, eu estava mesmo achando que não deveria mais contar pra você todas as coisas do meu dia, dos meus sonhos e do meu coração e estava errada. Eu ainda espero te encontrar a cada esquina, conto os passos na esperança de que na próxima curva vou dar de cara com você. Os carros vermelhos ainda me chamam a atenção mesmo que nunca sejam o seu, aquele restaurante nunca mais foi o mesmo, as músicas ainda me fazem lembrar seus olhos. Por incrível que pareça eu insisto em fazer o mesmo caminho todos os dias ainda que você nunca esteja lá. A diferença é que hoje isso não dói nem um pouco. É diferente porque sempre que eu penso em você parece o momento certo, são partes de mim e do meu dia onde volta e meia você aparece e me faz sorrir. Sentir esse amor por você me faz viva, forte, inteira apesar de tudo ou porque tudo foi a coisa só que me fez chegar até aqui. Hoje o seu amor não me impede de amar outras coisas, não me faz querer viver só por ele, mas por causa dele.
Tenho descoberto também que felicidade de mais assusta. Certo, como todas as outras milhares de coisas que me assustam nessa vida, de repente, me encontrar em paz é um tanto apavorante. Da medo que acabe logo, da medo de me perder dentro disso tudo, da medo de achar que estou entendendo o que na verdade é outra coisa totalmente oposta e não saber de mais nada. Porém, pensei meia horinha e vi que isso também faz parte de estar conectada. Ok, mundo, posso estar orgulhosa de mim, e da vida, e desse texto feliz? Posso ligar contar que estou bem, que estou entendendo, não foi você que me pediu tanto pra entender? Posso te dizer que eu te amo, te amo muito, e agradecer por tudo? Quero ser o mendigo que ganhou na loteria, quero sair jogando dinheiro pro alto, moedas de euforia. Quando a gente ta feliz vale até ser meio brega, a gente não se preocupa mais com o resto porque tudo que interessa agora está pulsando dentro de nós. A tristeza é que é caprichosa, cheia de cerimonias, de certos e errados e que costumava dar textos bons, sabe por que? Tristeza nos enche de caraminholas e deixa as palavras darem milhões de voltas tentando fazer um sentido que não tem. Felicidade é fato e não se discute.

domingo, 9 de maio de 2010

Ninguém

Eu sei que nem sempre as pessoas vão me dizer o que eu mais quero ouvir e que às vezes elas não estarão lá quando eu precisar. Sei que falo bobeiras e depois me arrependo. Sei que não sou perfeita. Que tudo que eu quiser eu terei que lutar muito pra conseguir. Que nada é tão fácil quanto parece. Que é difícil. Sei que nem sempre vão me consolar, às vezes vai ser hora de alertar. Que não basta um sorriso pra entender, nem um abraço pra durar. Sei que as palavras geralmente são ditas pela metade e que ninguém alem de mim vai saber o que sinto de verdade.Sei que tenho muito a aprender e que às vezes dói errar. Que é feio mentir, falar mal das pessoas e querer ser mais do que se é. Que é preciso ser bem pequeno pra ser grande um dia. Que pessoas machucam pessoas e que eu um dia machuquei também. Sei o quanto é terrível o abando e necessária a solidão. Sei derramar lágrimas, mas às vezes não consigo. Sei sorrir, mas às vezes o sorriso não vem. Sei que é preciso sentir saudades pra se lembrar de alguém, que é preciso coragem pra levantar da cama, e silêncio pra se dizer que ama. Sei o quanto esperar e a hora de fazer acontecer, nem sempre é a hora certa, mas foi o melhor que pude fazer. Sei quais pessoas precisam de mim e eu preciso muito delas aqui. Sei a hora de calar e de fingir. E que olhar nos olhos é muito importante.
Acima de tudo eu sei que sei de todas essas coisas profundamente, não falo porque me disseram, elas sempre estiveram dentro de mim, sei que dói saber muitas delas. Mais do que nunca hoje eu quero ser NINGUEM.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As Cores do Dia

Hi,

As Cores do Meu Dia, by ShuffleTime Multicolor - Escolha as cores e ele te dá a imagem

"Uma foto, uma foto para as cores do dia. Seria sempre bom se a gente, sempre, pudesse fotografar as cores das coisas. A cor dos olhos surpresos em ver, a cor do abraço que já faz parte das duas pessoas, o abraço que já tem a cor de uma e outra, a cor que já misturou. A cor desbotada da expectativa sempre apaga, toda vez apaga. A cor do olhar é cansada e a do ouvido atenta, a cor do sorriso é a mesma da própria pessoa, mas brilha mais, muito mais. O cor-de-rosa é do abandonar as malas e puxar a cadeira, resolver ficar, o azul é da conversa que voa e faz o tempo voar. O marrom das sábias palavras contrastado com o verde que é leve, inocente. Os risos são dourados e ofuscantes, meus e seus, a cor nova do dia faz do presente único e inconcequente e eu percebi que quando se gosta tanto o sentim.ento pode mudar de cor e a cor de hoje eu quero retocar e retocar pra que ela não apague nunca."

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Caminho.

Caminhado por uma bela rua no centro da cidade (não bem ao centro, mas ali perto, o que é bem melhor), algo me chamou a atenção. Um edifício cujo jardim eu nunca havia reparado. Eram na verdade plantas enfeitando uma fachada, não era bem um jardim. Havia ali plantas diferentes, não pude identificar a espécie, mas eram lindas. Tinham pétalas, ou folhas, que lembravam a Espada de São Jorge, porém eram bem verdes sem mancha alguma, um verde claro e forte, uniforme e aveludado. Em suas pontas havia espinhos, escuros e avermelhados davam a impressão de um perfeito degrade do vermelho claro ao preto, da extremidade finíssima da ponta até a parte mais grossa que se unia a folha. Eles eram atraentes, convidativos e provocantes. Dava vontade de tocá-los até. Uma dor aguda e um dedo sangrando pareciam um preço comum a se pagar diante do que se via. Todos esses detalhes foram vistos sem uma pausa nos passos, continuei no mesmo ritmo, apenas baixei os olhos para enxergá-las. Dali em diante o caminho era cercado de outros edifícios, na verdade eles estavam em um só lado da avenida, na calçada por onde eu caminhava. O lado oposto era uma imensa praça e todo o resto eram carros e pessoas apressadas atropelando outras nem tanto que só andavam apreciando as belas coisas dali. O chafariz que tanto gosto estava desligado. Fiquei indignada. Passei por bancas de jornal, padarias, bancos e restaurantes. Um deles em particular O Restaurante. É curioso que todas as vezes que passo por ali naquele horário alguém está abrindo o portão, não todo, apenas uma parte dele, espaço suficiente para uma pessoa ou um carro. Por mais que seja porque algum funcionário está entrando, iniciando seu expediente tenho a impressão de que é um convite para que eu entre. Não, obrigada. Os momentos ali são de se passar acompanhada, se já os passei com alguém não quero renovar lembranças passando outros sozinha. Após o restaurante vem a parte mais triste do caminho. Está frio, neva. É uma neve invisível, posso senti-la apenas, não consigo vê-la. Mas neva, pode acreditar. O frio combina com a tristeza de passar em frente ao hospital, ou um posto de saúde, não sei ao certo. Não que um hospital seja assim tão triste, mas aquele em especial, não é nada simpático. Seguindo o caminho torna-se chato. Detesto atravessar avenidas enormes, dessa vez o farol não demorou muito para fechar e eu pude passar e tropeçar bem no meio do trajeto. Sem gafes não seria eu. Alem de chato o caminho é feio depois da avenida. Ando um pouco mais e viro a esquina naquele famoso cruzamento. Começo a subir a rua. É nessa hora que minha alma fica e o meu corpo segue. Fica mais difícil caminhar. Não sei se pela falta da alma, mas tudo parece mais pesado e frio. Até o Sol se esconde. Minhas mãos cada vez mais geladas quase pedem para que eu volte. Impossível. Tudo em mim está triste agora. Não importa o tamanho do motivo ou até mesmo o próprio motivo. Se há algo que detesto esconder ou mascarar são os meus sentimentos. Sinto uma vontade maluca de voltar e não espetar apenas o dedo naqueles espinhos, mas as duas mãos inteiras. Parecia um preço digno de se pagar, um preço necessário. Eu preciso me mostrar à diferença entre o sacrifício e a imbecilidade. Será que vale a pena todo tipo de sofrimento assim como os espinhos daquela flor? Chego ao meu destino. Alem da alma é a vez do meu coração ficar do lado de fora. E eu queria muito, mais do que nunca, voltar aquele restaurante e ver você me fazendo esquecer essas besteiras.

domingo, 7 de junho de 2009

A 18 anos atrás.

No Dia da Liberdade de Imprensa no ano de 1991 nasceu uma bolinha pequena e cor-de-rosa. Eu. E tantas coisas aconteceram de lá para cá. Fui crescendo e me tornando essa menina sensível, as vezes até demais, sonhadora, amante, colorida e cinza também! Eu começo a pensar em tantas coisas que já me aconteceram, em tantas pessoas que já passaram pela minha vida e fica a sensação de que aconteça o que acontecer eu quero ser essa menina brincando no balanço e mostrando a língua pra foto, por que ela sim é a essência do que há em mim.

Agora eu vou fazer um brigadeiro, servidos?

sábado, 6 de junho de 2009

Pura e crua.


Após um imenso turbilhão de trabalho e mais trabalho posso dizer que estou mais tranquila. Claro que estou, visto que passo por aqui. Durante alguns dias me vi totalmente sem inspiração, vazia. Era uma sensação estranha que beirava o desespero, o medo de nunca mais esbanjar minha entrelinhas. Li, bem pouco. Sofri, bem muito. Nessas horas é que reforço a teoria do sofrimento. Cada um tem o seu e se eu quiser chamar minhas terríveis olheiras de sofrimento porque não posso? Não precisa ser grande para ser sofrimento, sendo meu acho que nem há muito o que discutir, sou eu quem está sentindo, não sou? Não acho justo que venham dizendo coisas do tipo: "Ah! Levanta esse ânimo, não fica assim por besteira." Tudo bem que mostrem o caminho, tentem reanimar, mas é difícil entender que se não tivesse motivo eu mesma saberia e não estaria... Sofrendo? Se existe algo muito particular são os motivos, pra rir e pra chorar, eles são seus e de mais ninguém. And I still walk! Algumas palavras-chaves me fizeram suportar algumas semanas que seriam imensuravelmente insuportáveis sem elas. É só olhar e dizer, você sabe fazer isso de um jeito que me irrita. Irrita porque essas palavras deveriam ser minhas, mas insistentemente elas continuam vindo de você. As gafes? Quando eu deixei de cometê-las? E elas sempre ficam na memória pro arrependimento me corroer. Sim, é muito chato admitir que os erros vêm para nos ensinar, aprender é necessário e eu ainda sou uma criança descobrindo o mundo. Mas eu admito! Aliás, admitir é gratificante, já perceberam? Ai eu me pergunto: Por que certas pessoas não admitem que não gostam de mim? Seria tão mais fácil se eu tivesse um motivo assim pra sair da vida delas.
Eu sigo ouvindo minhas músicas no meu MP3 colorido, passando pelas mesmas ruas todos os dias e ainda assim errando o caminho. Baixando séries que são a vida que eu sonhava ter. Criando outras histórias, talvez pra fugir dessa realidade tão pura e crua. Olho para ela. Ela é minha. E tem gente o tempo todo a jogando na minha cara. Calo. É melhor continuar aqui tendo desilusões do que correr o risco de nunca mais perder uma noite de sono na ansiedade de te ver no dia seguinte.
06 de Junho - Hoje é véspera ;)
Beij[o]

domingo, 10 de maio de 2009

Pelo trágico amor da criatura.

"Artista e ser humano é uma só coisa". Sonho e realidade ás vezes se misturam. Vontade de encher uma mochila de coragem e descer a serra na carroceria de um caminhão. Ser livre, ser eu independente de qualquer um e qualquer coisa, ouvindo canções assim, um Rock, uma Bossa, MPB. Ser brega e ser louca, são a mesma coisa. Um livro de poemas e uma máquina fotográfica nas mãos. Pintar quadros que só façam sentido pra mim e pra quem mais tiver raça pra andar de peito aberto, achar sentido ocultos nas coisas mais óbvias. É dessa liberdade que eu preciso e é assim que eu vou encontrar. Um dia me disseram que eu sou uma eterna apaixonada, belo adjetivo, confesso, eu adorei. "A artista que eu sou é o ser humano que eu também sou". Amar mais profundo, chorar mais intenso, sofrer mais sangrento. Arte é perceber a vida e o seu lado sobrenatural. Eu sou complexa demais pra exatidão da ciência. Eu e os meus pensamento, eu e as minhas ideias, minhas teorias, minhas trilhas sonoras e as minhas ilusões. Sabe, eu tenho muita sorte por ser assim, pensar assim. Tudo bem que as vezes eu sofra de mais. Sofrer é uma consequência, admirar o pôr-do-sol é uma virtude.

Maysa - O Barquinho


*O título da publicação é um verso retirado do Soneto a Otávio de Faria, de Vinicius de Moraes.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Emprestimo


Sabe aqueles dias sem inspiração? Aqueles que ninguém merece. Mas eu mereço por ser tão mal agradecida, mal humorada, e por ter dado tantas bolas foras por esses dias. Tá, deixa pra lá. Esquece, é só besteira minha. É só mania de me torturar, de tentar convencer o mundo de que eu to louca e que nada disso é normal. Não, não tem como. Uma pessoa normal não faria isso, nem aquilo, não se atreveria, não ficaria quieta, não falaria nada. Se eu pudesse me programar seria tão mais fácil. Num momento de sanidade tudo estaria planejado pra que a loucura, de fato existente, não tomasse conta de tudo em mim, só de uma parte, um pedacinho só. E eu já não sei o que fazer pra amar em paz, te olhar em paz, abraçar sem medo nem incertezas. Acima de todas as coisas e de tudo que sofri pelo simples fato de querer sofrer ainda continuo com a mania burra, ou não, de achar que vale a pena. Vale porque vale. Porque nenhum momento ao seu lado é por acaso.
Por fim ganho um fiozinho de uma 'meia inspiração' que empresto dela sem dúvida, "...nenhum momento ao seu lado é por acaso", "O Contrato". Tati Bernardi, ela sim perfeita. Tantas vezes em momentos assim de térreo ou subsolo peguei emprestado um dos textos dela e hoje torno a fazer. Sempre vale a pena ler o que a Tati escreve, ela é alma pura da primeira a ultima palavra. Todo o meu desespero de não conseguir escrever (uma fase que vai passar) acaba assim que abro a minha infinita coleção dessas palavras tão bem encaixadas e desenhadinhas.Hoje me dei o direito de emprestar palavras, talvez por estar totalmente sem elas, talvez porque hoje meu olhar dissesse muito mais coisas."Ela existe", um dos que eu mais gosto. Ela existe? Seria ironia pura se esse ELA não fosse a... Leiam vocês vão descobrir. Se encantem...

Ela existe
Encontrei a danada, mas ela fugiu. Pouco depois a encontrei de novo, mas ela disse que estava atrasada e eu entendi com preguiça de filosofar. Mais tarde ela voltou sem falar nada e se enfiou comigo embaixo das cobertas, quentinha. Só foi embora quando o relógio despertou rasgando o conforto, estava frio. Durante o dia ela voltou em situações bobas como o sorriso do menino mais lindo do mundo, a bolacha de chocolate que eu lembrei que tinha na gaveta e um título engraçadinho que eu fiz e foi aprovado pelo cliente. Ela ia e voltava, ia e voltava: como a vida. Linear são os batimentos cardíacos da morte. A noite ela apareceu na porta do meu banheiro, fez tanta força que entrou mesmo com a porta fechada. Focinhou a porta do box e me mostrou a bolinha de brinquedo me chamando para brincar, ao mesmo tempo entrou pela janela revestida de cheiro de hambúrguer. Veio em dose dupla.As vezes ela desaparece durante tanto tempo que me falta o ar. Dá uma saudade louca, ela deixa um vazio depressivo, um buraco. Ela me deixa mais uma e eu odeio ser mais uma. Não posso negar a dependência que eu tenho dela. Mas eu aprendi, finalmente, eu aprendi que ela não aparece apenas numa grande história de amor, numa viagem com tudo pago para Paris ou numa bufunfa boa lá na minha conta bancária carente. Ela também dá as caras pelo lado simples da vida, ontem apareceu numa tomada. Eu estava numa sala de espera lotada, esperando para abrir as pernas naquela cama da tortura e ouvir da minha ginecologista que sim, vai doer, mas é para o meu bem. E ela apareceu. Eu precisava recarregar meu celular para saber o que o esquisito tinha deixado na minha caixa postal e uma tomada apareceu do meu lado, foi só afastar um pouco as revistas Caras e outras do mesmo gênero (enquanto você espera para saber como vai sua vagina você fica sabendo como vai a vagina das outras). E lá estava o recado dele, esquisito como sempre, mas com aquela voz lacônica e charmosa. A felicidade entrou com o pé na porta e sentou ao meu lado. Eu não estava mais sozinha esperando o especulo. O trânsito todo parado e ela acena no carro ao lado, depois morre de vergonha e toma bronca do pai para sentar direito na cadeirinha. O dia meio cinzento, vai-não-vai e de repente ela surge amarela e esquenta a vida. Ela mora numa gaveta cheia de bobeirinhas lá em casa, que tem nariz de palhaço de festa louca, cartinha de amor antiga, fotos da minha bochecha quando eu tinha cinco anos e lembranças de carinho em flores secas. Ela toma banho comigo quando a água leva embora coisa ruim e renova a alma e dorme ao meu lado quando eu descanso depois do almoço de domingo com o meu pai que eu não vejo a semana toda. Ela é virtual na comunidade que criaram para mim no Orkut, chama-se Tati Bernardi, e ela é fantasma quando eu lembro do meu avô dizendo que eu era a mulher mais linda do mundo. A mulher mais linda do mundo pequeno do meu avô. A felicidade mora num mundo pequeno seu e não naquele grande que faz você se perder demais. A felicidade é simples, e quando você descobre isso ela deixa de ser uma espera e passa a ser um minuto, um segundo. E é de minutos e segundos que se faz a vida. E aí você perde menos tempo esperando e mais tempo vivendo. Entre o piegas e o chavão, é assim que ando por aí vivendo a vida intensamente sem esperar momentos intensos. Você já tentou? Já tentou não imaginar a sua felicidade na outra festa que você estaria se não estivesse nessa e encontrar a sua felicidade onde você está? Tente, pode ser numa música boba, pode ser num amigo que você não via há muito tempo. Pode ser morrendo de rir de uma noite mico, por que não? Eu sempre esperei viver uma história de cinema, ouvir cantadas de filme francês, ganhar salário de estrela, ter amigos de
sitcom, corpo de capa de revista e enterro de celebridade. Ai eu lembrei que os filmes de que eu mais gosto são aqueles despretenciosos que contam a história de uma pessoa idiota como eu.

Concordo com tudo, do início ao fim ^^ "...que contam a história de uma pessoa idiota como eu." Idiota como EU! \o/

,BeijOsSempRe'

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O Maior de Todos


Eu estou cansada, com medo, não consigo dormir. Eu olho pela janela e não tem nada. Dentro de mim... Nada. As palavras estão tortas, as linhas, já nem se fala, se perderam dentro de mim. O medo de ter toda a coragem é uma coisa muito complicada. Esse medo da coragem é o puro e simples medo de si mesmo. É o medo que atravessa as cortinas, os cobertores e os ursinhos de pelúcia ficam maus. Ele te puxa pra um labirinto vazio e triste e te faz correr e correr esbarrando nos muros e nas armadilhas com os olhos inchados de tanto chorar. A gente procura em toda parte alguém que nos tire de lá e quando pensamos ter encontrado caímos de novo e somos obrigados a continuar andando em círculos até perder todas as forças, até as que a gente nem sabia que tinha.
Isso tem me invadido tantas vezes por dia e talvez a culpa seja toda minha. Pra falar a verdade a culpa é exclusivamente minha. Se eu me ouvisse, me desse um tempo, me desse carinho, me desse descanso eu conseguiria encontrar a saída do labirinto. Agora já é tarde demais, eu resolvi quebrar todas as paredes usando o próprio sentimento desesperado que o labirinto me trás. Eu vou sair botando minhas dores pra fora até explodir tudo, até acabar. É aquela sensação de abrir o peito e arrancar magoa por magoa até ficar seca, sem lágrimas.
Entre todos os medos do mundo o mais inevitável e cruel é o medo da própria coragem. O maior de todos, desses que te sugam o ar. Eu me sinto assim, sem forças pra mover um músculo sequer, perdida entre os pedaços do meu coração depois de ter pisado nele. E eu não mereço consolo, não mereço colo, não mereço nada. No mundo nada é infiel, a gente colhe o que plantou e se eu planto medo não posso colher explicação. Pessoas nascem e morrem, e é absolutamente impossível entender o que se passa entre essas duas palavras.

já tive dias muito melhores ;)

Treble





sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pro dia nascer feliz...

Falta o Sol na janela do quarto, falta o picolé gelado, falta o pé descalço. Pra onde vão todas essas pessoas e as suas mentiras de vida? Os carros, as cores já tão apagadas, as noites mal dormidas, as músicas e ninguém na calçada. Onde estão as nossas verdades? Jogadas pela janela. A minha ainda carrego no peito e ainda que me tentem tirar eu sou burra o bastante pra querê-la perto de mim. Eu não vou mais mentir que talvez o mundo um dia possa ser lindo e limpo porque ele é feio e nojento. Eu não preciso inventar paraísos em cima da minha ingenuidade, só preciso ser consciente. Eu tenho certeza de que mais da metade das pessoas não valem a pena e isso não é pessimismo é coerência. Não vou me entristecer, essa metade pouco me importa. Depois de olhar o céu, a lua, a rua e as luzes se apagando eu prometi esquecer o resto. Pra poder ser inteira eu precisava não julgar as metades. E se faltava alguma coisa era não deixar nada sobrando. Matar a noite pro dia nascer feliz.


Sonia e a Calopsita. Amo essa foto e essa fofa s2. Prima do coração. Você é um dos motivos pro meu dia nascer feliz. Estou morta de saudades.

Tenho mais duas semanas de férias e juro que não sei o que fazer com elas... Reciclar? Ótima ideia! Eu preciso prometer que serão as duas melhores semanas! Conhecendo gente da Faculdade e muito ansiosa pra começar. Amanha acordar CEEEEDO trabalhar e depois pegar um cineminha com as meninas s2.

BeijOtcHaU'

Até mais!