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terça-feira, 29 de junho de 2010

A sua garagem

Naquele dia eu perdi todas as esperanças como se fosse incapaz de, sequer querer, lutar por alguém que não fosse você. Pensei em todos os minutos que desperdicei dentro do carro na garagem do seu apartamento pensando em tudo que eu queria te falar, pensando em subir, em me jogar, em, quem sabe, fazer você sentir culpa por aquela dor que eu inventava em mim todas as vezes que a gente se despedia.

No fundo, só no fundo mais fundo de mim, eu queria que você sofresse, muito, eu queria que você se arrependesse de tudo. Mas você não fez nada, você apenas não me amou. Você não merece sofrer e eu não mereço você. Então eu saio com o carro da sua garagem e com o meu coração mole, pulsante e ardente, da sua vida.

Espera, porque você me deixa guardar o carro na sua garagem? Porque o seu porteiro me conhece e para quantos outros porteiros eu vou dar o bom dia mais sincero e gigantesco só por ter passado a melhor noite da minha vida no prédio onde ele trabalha? Você até me deixou dizer que violetas só ficam boas na lavanderia da minha avó e que margaridas combinariam muito mais com o seu apartamento. Eu quase comprei as margaridas. Eu quase amei as violetas, o quadro estranho e a vista pra lugar nenhum da janela do seu banheiro, mas na verdade tudo fazia parte de mar você.

No caminho pra minha casa ainda penso em te ligar para pedir encarecidamente que você nunca mais sorria me olhando assim de lado, demonstrando o quanto você gosta de mim, porque eu abomino esse seu gostar. Abomino que ele me torne idiota o tempo todo e eu abomino que você acredite que gostar seja suficiente. Você promete? Promete que nunca mais vai fazer assim e que a partir de hoje, sem caçoar, você vai me deixar mudar de opinião e amar aquela sua blusa azul que eu tanto odiava. E quero passar a amá-la porque não quero ter que fingir que te odiei diante de todas as blusas azuis que eu ainda encontrar pela frente. Promete que não vai rir de mim?

Deixa pra lá, agora eu só quero ficar sozinha para entender porque eu fui fazer de você a pior besteira de todas e porque isso tudo dói tanto. Eu preciso entender porque é tão difícil aceitar que acabou. Talvez seja porque eu jamais vou conseguir substituir o seu personagem que vive comigo, dentro da minha cabeça, as histórias que um dia eu inventei e nós ainda não vivemos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Reflections of a Skyline

Na minha constante necessidade de emprestar palavras quando as minhas já não cabem no que estou sentindo relembrei quando passava pelo Borboletando e encontrei o Reflections of a Skyline que é um curta dirigido por Michael Tamman & Richard Jakes.
E é mais ou menos assim:

Eu quero brincar de esconde-esconde, te emprestar minhas roupas, dizer que amo os seus sapatos, sentar na escada enquanto você toma banho. E massagear seu pescoço, baijar seu rosto, segurar sua mão e sair pra andar. Não ligar quando você comer minha comida, te encontrar numa lanchonete pra falar sobre o dia, falar sobre o seu dia e rir da sua paranóia. Te dar fitas que você não ouve, ver filmes ótimos, ver filmes horriveis e te contar sobre o programa de TV que assisti na noite anterior. E não rir das suas piadas. Te querer pela manhã, mas deixar você dormir mais um pouco. Te dizer o quanto adoro seu olhos, seus lábios, seu pescoço, seus peitos, sua bunda. Sentar na escada, fumando, até seus viinhos chegarem em casa. Sentar na escada, fumando, até você chegar em casa. Me preocupar quando você esta atrasado e me surpreender quando você chega cedo. E te dar girassóis, e ir a sua festa, e dançar. Me arrepender quando estou errado e ficar feliz quando você me perdoa, olhar sua fotos e querer ter te conhecido desde sempre, ouvir sua voz no meu ouvido, sentir sua pele na minha pele e ficar assustada quando você se irrita. Eu digo que você está linda. Te abraçar quanto você estiver aflita e te apoiar quando você estiver magoada. Te querer quando te cheiro e te irritar quando te toco. E choramingar quando estou ao seu lado, e choramingar quando não estou. Me debruçar no seu peito, te sufocar de noite e sentir frio quando você puxa o cobertor e sentir calor quando você não puxa. Me derreter quando vcê sorri, me desarmar quando você ri, mas não entender como você pode achar que estou rejeitando você quando eu não estou te rejeitando e pensar, como você pode pensar que eu te rejeitaria? E me perguntar quem você é, mas te aceitar do mesmo jeito. E te contar sobre o Tree Angel, O menino da Floresta Encantada que voou todo o oceano, por que ele te amava. Comprar presentes que você não quer e devolvê-los. E te pedir em casamento e você dizer não, de novo, mas continuar pedindo, porque, embora você achar que não era verdade sempre foi sério, desde a primeira vez que pedi.
Ando pela cidade, pensando,é vazio sem você, mas eu quero o que você quiser. E penso, eu estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim, e tentar dar o melhor de mim porque você não merece nada menos que isso.
Responder suas perguntas, quando prefiro não responder e dizer a verdade mesmo que eu não queira, e tentar ser honesto porque eu sei que você prefere. E achar que tudo acabou. Espera, só mais dez minutos antes de me tirar da sua vida, e esquecer quem eu sou, e me deixar chegar mais perto de você e, de alguma forma, de alguma forma, de alguma forma compartilhar um pouco do irresistível, imortal, poderoso, incondicional, envolvente, enriquecedor, agregador, atual, infinito amor que eu tenho por você.

"Ando pela cidade, pensando,é vazio sem você, mas eu quero o que você quiser. E penso, eu estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim, e tentar dar o melhor de mim porque você não merece nada menos que isso." - Yaa! Perfeito!

Não deixem de ver também o vídeo aqui. É emocionante, verdadeiro e intenso. É, hoje, o que eu precisava pra falar de mim siplesmente porque diz tudo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Eu apenas preciso saber

Eu mal te conheço e já quero que me ame. Mas se você não quiser, tudo bem. Eu já superei tantas vezes. Na verdade eu nem sei se superar é bem a palavra, mas eu consegui, estou viva, entende? Parece mais com se conformar. Dizem que quem se conforma é fraco. Pelo contrário, pra se conformar com um não amor precisa ser bem forte, muito forte. Eu devo ser, acontece que eu tenho medo, eu não quero ter que me conformar, não com você, ou melhor, sem você. Eu não estou dizendo que te amo, não, por favor, não entenda isso. Quero que você me ame, não precisa ser agora, não precisar ser já, mas precisa ser, um dia, tem que ser. Porque mesmo que eu não te ame agora se continuar sorrindo desse jeito e segurar minha mão mais uma vez já vai ser tarde demais. É como uma garantia, uma forma de saber que tudo vai valer a pena porque, aconteça o que acontecer, você vai ter me amado, pelo menos um pouco, um dia. Não pense que eu sou maluca, não se trata disso, pelo menos não nesse caso, é que eu não quero ter que esquecer, não hoje, não dessa vez. Não amar é a pior crueldade que alguém pode fazer sem ter culpa nenhuma e o seu abraço insiste me dizendo que você não seria capaz, mas abraços enganam porque eles são o que a gente quer que eles sejam nunca o que realmente são. Se eu for acreditar nos CDs que você leva no carro, no presente que você me deu, na atenção que você tem em estar sempre olhando pra mim em todos os sentidos e naquele carinho atrás da orelha que você sempre faz quando eu to chateada eu vou ter certeza que não vai ser preciso me conformar nunca em não ter tido seu amor. É por isso, é por tudo isso que, dessa vez, só dessa vez, eu queria muito que você me amasse, e é por isso também que você precisa dizer, de verdade, se vai me amar um dia. Por favor, diz agora, antes que a gente entre no melhor restaurante do mundo e peça o yakisoba mais colorido com Coca- Cola e dê muitas gargalhadas por nenhum dos dois saber enrolar o macarrão com o hashi. Me perdoa, mas precisa ser antes, antes que você me leve pra casa, antes que eu descubra sua cor favorita, antes que eu adivinhe o nome daquele filme que você chorou, antes que você não me ame e seja tarde demais.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Coca-Cola

Algumas coisas deveriam ser proibidas na vida. O pior é quando elas já são proibidas e você não ta nem aí. Ou tá, mas não consegue se livrar da coisa. É igual coca-cola. Eu odeio coca-cola, mas é tão gostosa. Não, eu não odeio coca-cola, eu tenho medo de tomar e doer meu estômago, aí eu finjo que odeio só pra não sofrer a falta. O amor é a mesma cosa. Amar é muito bom, mas faz sofrer, aí a gente passa a odiar, finge que odeia. E odeia.
Eu odeio coca-cola quente e amor frio. Eu odeio quando quem eu amo não se derrama de amores por mim, quando não tem tempo pra mim, quando me faz ser um cachorrinho implorando carinho pro dono com a bolinha amarela de plástico na boca,ser alguém morrendo de sede atrás da coca-cola, a ultima da geladeira da padaria. E por ela ser a ultima você odeia ainda mais, por ela ser única e você precisar tanto dela você tem vontade de atirá-la na parede.Tantas vezes eu já perdi a capacidade de raciocínio. Tantas vezes eu já menti pra mim e já quebrei a cara, e já me achei uma idiota todas as vezes que corri pra implorar “me ame, merda”. Eu queria sair de mim só pra ver a minha cara de tonta, a minha cara besta de quem disfarça e acha que você não ta percebendo que eu sou um gatinho me esfregando na sua perna enquanto você quer tomar café da manhã em paz. Mas você percebe, qualquer um percebe essa minha cara de tonta. Minha cara de “eu quero a coca-cola, mas não vou pedir”. É como se alguém tivesse que adivinhar, pra eu recusar e depois da insistência aceitar. Mas difícil é aprender que ninguém faz isso. 
Coisa terrível no mundo é você não poder escolher quem você ama. Outra pior ainda é achar que ama e descobrir que só sente pena. Pensar no passado dá uma dorzinha no meio da testa, mas pensar no futuro quase esmaga o coração. Eu quero mais emoção na minha vida e a única pessoa que me ensinou o que é emoção está ocupada demais com tudo que não sou eu. Chega a vez do ciúme.Ciúme também é uma coisa chata, você só sente pra sofrer e ele não tem sentido nenhum. Já perdi a conta de quantas vezes lavei o rosto pra tentar espantar esse monstro, mas ele está impregnado e não sai de jeito nenhum. Ciúmes é outra coisa bem parecida com coca-cola. Muito faz mal, pouco da abstinência e tédio.
Mas o que fazer com um copão de leite quando o que você quer é coca-cola? . Coca- cola é como uma grande aventura, tem gás, da cócegas na garganta, mata a sede mais do que qualquer água, suco ou copão de leite. Quando você bebe rápido demais arranha a garganta de um jeito bom, e se você tiver que tomar de vagar também é uma delícia. Serve pra embreagar e pra dar prazer. Eu nunca mais vou dizer que estou esperando a tampa da minha panela, a metade da minha laranja, o pé pro chinelo. O negócio é dizer que estou procurando a minha coca-cola, mas que por enquanto eu só tenho um copo de leite com groselha.
A unica coca-cola da minha vida eu nem pude experimentar. É a coca-cola que eu joguei no ralo porque ainda era criança e achei que todo refrigerante tivesse o mesmo gosto. Hoje quando me deparo com outros refrigerantes por aí entendo que é tudo tão diferente.
Sabe o que eu vou fazer agora? Comprar uma coca-cola só pra mim. Pra esquecer de tudo e afogar todas as coisas nelas mesmas. Eu vou tomar a porcaria da coca-cola e não quero nem saber do leitinho com groselha essa noite. Poxa vida, eu já falei que detesto coca-cola?

sábado, 13 de junho de 2009

Coragem para amar mesmo sem coragem.

Em cada rosto eu via coisas que me faziam acreditar na minha felicidade, mas porque no seu eu não conseguia enxergar nada? Eram meus olhos que olhavam errado ou eram os seus que não me encaravam? Eu continuei olhando até você sorrir e ai me enchi de todas as coisas estranhas que me assustam, mas são tão boas que eu nem sequer consegui sentir o medo de verdade, eu senti a paz, no instante do teu sorriso. E eu realmente pensei que eu merecia aquilo, não mais que aquilo. Respirei e me contentei em estar longe, mas pelo menos estar. O que eu sentia não podia ser descrito e eu ainda queria poder levantar e andar mais aquele metro que me separava de você. Eu tentava controlar enquanto andava com medo, amor, alegria, dor, até chegar e dizer um oi qualquer, sentir teu cheiro e te abraçar, trocar palavras e se despedir. Você vai embora e pronto, tudo esta igual de novo. Talvez o que eu espero é um abraço seu que me mude a vida. Isso existe? Começo a não acreditar nem no amor. E a parte de não acreditar não me soa tão importante, mas eu tive a sensação, a leve sensação, de que quando eu te abracei, faltava você. Você estava lá, mas não estava, eu abraçava mais e estava totalmente lá, pedindo um pouco mais. E ainda não consigo acreditar que já fiz isso tantas vezes, tantas vezes abracei com tudo que tinha e não senti você me abraçar. Tantas vezes eu jurei nunca mais fazer isso, mas o número de vezes que descumpri a promessa, foi incrivelmente maior. E sinceramente, eu não encontro um motivo para te convidar tanto para tudo, será amor ao não? Amo, odeio, amo, odeio, amodeio? E vou vivendo cada um dos meus dias, sentada naquela escada esperando você voltar de onde eu nunca sei, indo pra onde eu nem posso imaginar, um onde que com certeza é bem longe de mim, bem fora do meu mundo, bem distante do que eu ainda posso alcançar.E mal eu acredito em mim, então não se esforce em conseguir acreditar, mas eu ainda assim tento te alcançar, em pensamento e em sentimento. Eu te procuro até mesmo na luz do sol, tem horas que eu vejo teu reflexo e era só de tanto pensar em você. E eu tento alcançar o lugar para onde você vai. Para onde você vai? Mais uma vez pra longe de mim, pro fim de papo, por já chega sai fora daqui. Se um dia eu pude acreditar com todas as forças que você sentia muito amor por mim isso é o que me faz ainda ter um restinho da coragem mais inútil de se sentir. É tão inútil que nem mesmo serve mais, passou do prazo de validade. Será que se eu levar na assistência técnica dos sentimentos, eles trocam por quilos {ou será litros?} de coragem novinha em folha, de te amar profundamente e irrevogavelmente?Pra que? Voltemos ao início da cena, pra talvez ser mais realista. Você chega, eu te olho e você sorri. As pernas bambas o coração acelerado. Tomo coragem de ir até você, na verdade só obedeço a vontade. Seu perfume é bom eu te abraço cheia de amor, você me abraça simplesmente. A gente conversa, eu sou meio chata, eu sei. Outro abraço pra se despedir e você vai embora. Eu sinto que ta faltando alguma coisa que eu não disse ou não fiz. Apenas isso. Tudo isso. Eu, você e mais um dia sem ninguém.E eu aqui tentando lembrar todos os detalhes, sem conseguir lembrar nitidamente de nada, decerto culpa da dor das lágrimas que rolaram e cicatrizaram dentro do meu peito. Eu não preciso de coragem para sofrer, então não preciso de coragem para te amar e ponto final.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Assistência técnica

Eu já procurei na internet, na lista telefônica, nas minhas agendas e nada. Não existe nenhuma loja de assistência técnica pra coração pifado. Nem os psicólogos, sequer os psiquiatras dão jeito nisso. Perdi as esperanças. E por mais eu que eu seja essa é uma frase que eu não costumo pronunciar.
Mas é isso aí, cansei desse coração com defeito que só sabe amar completamente errado e ainda tem a cara-de-pau de ser feliz e dar um trabalho danado pro coitadinho do meu cérebro.
Parece que ele gosta de sofrer e precisa disso pra ser feliz. Contraditório, não? Pois é, o defeito já começa ai. Algum parafuso solto, talvez. É impressionante como ele não sabe amar quem faz bem. Meu coração ama patadas, chutes decepções, amores não ou mal correspondidos. Ele tem a capacidade de venerar quem não da à mínima pra ele. Corre atrás que nem um cachorrinho carente de dono puxa-saco. Porque se tem alguma coisa mais besta do que cão sem dono é cão com ex-dono puxa-saco. Daqueles que coloca roupinha, da mamadeira e depois vai viajar e deixa o pobrezinho com a empregada porque o hotel não aceita animais. Meu coração é apaixonado por esse tipo de dono. Hipermega mimado ele não pode ouvir um elogio sequer que ele já gruda e as chances de não desgrudar mais são imensas. Tome cuidado.
Essa massa que pulsa dentro do meu peito é cheia de acelerar por qualquer bobeira. Um telefonema, um email, um bilhete, um tchauzinho. Mas eu já sei por quê. Ele não ganha emails bonitinhos, ele só manda e recebe respostas curtas e objetivas. Ele não ganha bilhetinho escondido na bolsa, só os entrega. Ele recebe nãos e se derrete. Ai, como ele ama ficar esperando o primeiro golpe no estômago. Desconta em vários órgãos do corpo. Ele adora quando não ligam de volta, quando não respondem as mensagens, quando não atendem ao telefone. Se tem uma coisa que o deixa doido é falar com emoção e ouvir com indiferença, nossa ele enlouquece. Adora gritos, palavrões, respostas mal dadas, traição. Se não for assim ele não ama não.
Quando o outro coração vem cheio de carinho, sem patadas, quando o outro vira aquele dono companheiro que leva o cachorrinho pra brincar na praia ele bate o pé. Não aceita de jeito nenhum. Acha um absurdo sem tamanho. Não da pra amar assim, que palhaçada a pessoa te mandar flores, é você quem tem que mandar e ficar completamente besta e satisfeita com um simples “Gostei”. Não, desse jeito não dá, quando tem um coração a fim de dar todo carinho do mundo ele cai fora e eu caio literalmente. Cheia de duvidas como se a solução fosse o maior problema. A outra pessoa precisa ser cruel, ser real, ser egoísta, esquecida, mal educada ou educada demais a ponto de me tornar a maior troglodita. A outra pessoa tem que ser perfeita a ponto de eu ser a pior pessoa do mundo. Ele adora me ver na merda mesmo. Ele só ama pessoas bem melhores e quando é verdadeiramente amado fica enjoado, com nojinho.
Desse jeito é impossível, não tem como, assim não dá. Desse jeito não tem sentido. Mas se algo na minha vida teve sentido foi tão desimportante que eu nem lembro mais. Se alguma coisa na minha vida foi fácil ela não tem um pingo de valor. Eu fechei a lista telefônica e pedi perdão mil vezes por ter, por um instante sequer, a vontade de arrancar do peito esse coração torto. É esse que eu quero, é amar errado que está certo e é viver na merda que encoraja. As flores cheiram a cemitério e me fazem espirrar.

Faz tempo e ainda lembro...

"E eu consigo te contar tudo, te dizer tudo sem a menor dificuldade. Eu queria te guardar aqui pertinho comigo e te fazer sorrir assim sempre, nem que seja preciso bater de novo com o nariz na porta do banheiro pq tava escuro, vc lembra? E você passa assim correndo e vai embora, nem deu tempo de eu pedir desculpas por não ter perguntado se você gosta do leite frio... Eu gosto com muita açucar, mas pq você estava lá, acredita q tomei ele todo sem? E nem percebi! Hoje de longe sua voz eu reconheci, você percebeu e jogou um beijo pra se despedir"

sábado, 4 de abril de 2009

Aquela bagunça na primeira gaveta.

Matt Wertz - 5:19

Não saber o início, o meio e nem o fim das coisas em mim causa arrepios. A vida anda cheia dessas mania de intercalar coisas e eu estou começando a achar que nunca vou por ordem nessa bagunça. Até algumas lembranças de um passado já distante vieram fazer não sei o que nem pra que na hora mais errada que tinha pra ser. Aqueles 1,83m ainda mexem comigo de uma forma que nem eu sabia. A realização de alguns sonhos perderam a importância. E já não cabe nenhum outro em mim. Eu deveria estar mais do que acostumada com esse tipo de sensação, mas não se pode estar, ninguém está. Eu não sei quem revirou a gaveta assim, jogou tudo pro alto e guardou de qualquer jeito tudo fora do lugar. Eu tinha planos que caíram no chão e quebraram, eu tinha amores que surgiram do fundo falso e agora vejo claramente. Eu tinha medos que estão espalhados e sobrepõem de vez em quando os pensamentos bons. Eu tenho coragens que se multiplicaram e lembranças que já são sem importância e eu juro que não sei o que fazer com tudo isso. Nem com aqueles 1,83m, nem com tanto carinho, nem com medo, ciúmes dúvidas e tanto coração. Eu não sei o que fazer com a fome se eu não ando conseguindo comer, não sei o que fazer de mim ates de me socorrer. Quando estou sozinha a bagunça na gaveta de cima me tira a concentração e é assim que eu me sinto ultimamente. Eu e a gaveta. Eu, a gaveta e a vontade de não arrumar nada. Por isso eu respiro tão aliviada quando, mesmo cega de tanta confusão, eu consigo ouvir um coração batendo junto com o meu.

Pode ser numa canção, pode ser no coração, eu só quero ter VOCÊ por perto. {PatoFu}

Beijo, nem liga.

terça-feira, 31 de março de 2009

E ia falar do quê?

Me mandaram falar de amor como se as voltas eu falasse de outra coisa. Nem que eu quisesse. E não, não quero. Por mais que eu venha descobrindo e tirando conclusões de que o amor é uma mancha no meu carpete branco. Ele é o que vem pra estragar tudo e as vezes deixa o carpete mais bonito. Aí está o problema. Mesmo quando não falo ou escrevo, a palavra está nas entrelinhas. Quanto mais eu acho que já sei alguma coisa mais mistério cai em cima de mim e me ajuda a prensar as linhas, letras e palavras. Uma sensação de estar com o coração cheio e o estômago vazio. Mas hoje especialmente hoje, eu não estou nem um pouco afim de falar de amor. Quero sentir só, já basta. Apenas hoje eu queria esquecer.
Depois que se sente de verdade não tem mais graça nenhuma escrever, não tem razão nenhuma. Começo a me arrepender das horas e horas que passei escrevendo e falando de amor e não sentindo aquela sensação magnifica de entregar sua vida a outra pessoa, de abrir mão da própria felicidade, de chorar muito, rir muito, bater forte o coração. Agora eu senti e depois disso percebi que amor é um assunto que só cabe nas entrelinhas mesmo que se fale a palavra na linha achatada. Ainda que se grite, ela só vai estar nas entrelinhas e furiosa. Então está decidido, eu não vou falar de amor. Eu nem estou falando de amor, ok? Se desse pra explicar exatamente valeria a pena, mas não vale, deixa pra lá.
Um dia quando se troca um olhar, quando suspirar, respirar bem fundo, quando perder o medo de abraçar, quando a saudade rasgar o peito, quando algo for maior que o Sol e ainda couber no coração, ninguém mais vai querer falar de amor, nem vai dar mais tempo de falar. Talvez eu tenha que reaprender um jeito bom de escrever, mas eu pago esse preço, tudo pelo sentimento que me faz querer voltar e encher folhas e folhas de coisas tolas, talvez eu precise renovar esse sentimento também. O que importa é que esse é o primeiro de muitos textos que não terão aquele assuntozinho banal que todo mundo detesta, não detesta? Eu sim, odeio. Hoje eu não quis falar de amor, mas falei. Ia falar do quê, moda? Deixa pra lá.

eu morreria por você na guerra ou na paz!

Beijo^^


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ai de mim que sou romântica.


A gente passa o tempo todo amando. Sem perceber as músicas, as bandas, os cachorrinhos, os carros e as pessoas acabam se tornando nossos amores, nossas paixões da vida que vai e vem sem revezar, sem turnos e sem rumo. A gente vai esperando cada dia mais por um grande amor e não percebe quantos estão a nossa volta. Somos teimosos. A gente vive, ou tenta viver, achando sempre que nada está bom, que sempre sobra, sempre falta e nunca abre os olhos de verdade. Eu tenho raiva, raiva de mim por que nasci humana e os humanos são sujos. Eu odeio dar 'bom dia', dar bom dia não faz sentido quando se está sendo educado . Eu quero ser ainda mais ridícula, quero dar bom dia com o coração, desejar de verdade que o dia das pessoas sejam bons. Eu queria deixar de ser idiota e de ter que fingir que esta tudo bem, quero ser ingênua e não entender o humor negro ou vadio que virou febre. Eu quero sorrir pro bebê na fila do supermercado, quero dar tchauzinho pra criança no carro, quero dizer muito obrigada, eu quero ser cafona e cumprimentar meu vizinho no elevador. Eu quero abrir os braços e amar o mundo. Mas nós queremos sempre mais do que a vida oferece e em cada ombro largo acabamos descobrindo possibilidades de amores impossíveis. Estamos, talvez, cansadas demais pra reconhecer os detalhes. Haja o que houver não prestamos atenção, ou não queremos prestar atenção, nesses amores sutís, nesses sorrisos de bom dia, nesse abraços de matar a saudadede, na comidinha da mãe, tem amor maior que esse? No latido quando você chega em casa, na sua cama que arrumada ou não sempre te espera, nas gargalhadas sem sentido nenhum, daquelas que ninguém entende porque está rindo justamente porque não param pra perceber que o fato de estar ali vivendo já é motivo pra longos ataques de riso. Tem hora que vale a pena olhar no espelho e se amar inteira, mergulhar na loucura e elogiar o próprio sorriso, afinal você é única pessoa em quem pode acreditar sem nenhum medo. Eu não preciso procurar um amor, já tenho tantos. E esses amores sutís servem pra me deixar viva, me manter acordada. Ai de mim que sou romântica, que acredito em amores quem vêm sem hora marcada, que insisto em amar a vida e a me amar pra encontrar, assim sem esforço nenhum, uma pessoa não pra ser o meu amor, mas pra amar comigo pro resto da vida.

¨ try as I, I can never explain ®


Para sempre levarei comigo a sua dor para o caso de um dia você a esquecer. Se tudo parecer errado e eu deixar poemas em seu gravador, escuta. Sei que às vezes dá vontade de gritar, não vou mais ficar aqui no meu cantinho. Se eu falar bem alto todos vão me escutar e se eu cantar baixinho?

(Ludov - O dia em que seremos felizes.)

BeijOs!



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Uma calcinha cor de rosa

Pronto. Era tudo que eu precisava: uma calcinha velha e rosa para a virada do ano. Porque rosa eu não sei, mas eu sempre virei o ano de calcinha rosa. Desta vez rosa choque. Porque velha? Porque sim! Precisa ser velha, muito velha, como sempre.
Mais uma vez tive um conflito nervoso com a blusa e o sapato. Tenho poucos sapatos, isso já é fato. Ou talvez pouca inspiração, mas deixa isso pra lá. Minha roupa era cinza novamente e se não era pra inspirar ou atrair qualquer coisa pro ano que estava por vir preferi pensar que era por luto pelo ano que passou. Não que ele tenha sido somente coisas ruins, mas o luto era justamente pras coisas ruins que nele tinham acontecido. As boas eu guardei no coração. Ainda assim faltava alguma coisa.
Como sempre nessas festas chega a hora de reencontrar pessoas, encontrar pessoas, se despedir de pessoas e tropeçar em pessoas, latas de cervejas e afins. Cachorrinhos não comemoram ano novo? Não vi nenhum por lá. As pessoas muitas vezes me irritam. A multidão, aquela garoa fina, típica dessa época do ano, ou dos anos, já que é entre um e outro que sempre chove.
Eu não sei entre quantas mil pessoas eu estava, e era mesmo melhor não saber pra não ter mais aflição. O que importa é que eu estava extremamente sozinha. Sim, sozinha. Aquele novo me sufocava, estar presa me sufocava e entre mais de não sei quantas mil mãos só poder segurar em um par delas, pertencentes a um só tronco. E entre mais não sei quantos mil troncos, incluindo as árvores, só poder abraçar um deles sem culpa me sufocava.
Parecia uma premonição cada segundo do que ia acontecer. Eu sabia, sempre sabia, pra onde ir, onde ficar, o que fazer, que hora parar. Não tinha nada de diferente e ao mesmo tempo eu estava fora daquilo tudo, assistindo meu Feliz ano Novo de camarote enquanto tudo acontecia como sempre acontecia. Era exatamente isso, uma noite da qual eu não participei. Na qual eu estava sem estar. Mas eu queria, em cada segundo eu queria entrar naquela noite e poder respirar o mesmo ar que respirava toda aquela multidão. Mesmo que isso me causasse raiva.
Naquele camarote escuro onde eu estava isolada do mundo, mas podia ao menos ver em volta e não desperdicei esse recurso. Das minhas premonições uma delas era que ele estava ali e confesso que desde o início eu já estava esperando, procurando. E num golpe de olhar na mais provável direção onde eu poderia lhe enxergar eu me senti pela primeira vez dentro daquela noite. Eu o vi e meu coração disparou da maneira teimosa e irritante que ele costuma disparar. Me senti viva, pude respirar toda aquela multidão sem nojo, sem medo e dentro da história, parte do mundo, fora do meu camarote. Estava lindo como sempre, aquela boca, aquele cabelo. Ela era alto e forte, era homem.
Numa fração de segundo o golpe de felicidade se tornou golpe de frio, de medo, de lembranças e arrependimentos. A única mão que eu tinha arrastei pra um lugar longe dali, arrastei pra dentro da bola de vidro que me protegia e lá fiquei sozinha outra vez. Cada vez que te olhava, cada vez que te via de longe e você não me via eu saia e entrava naquela história. Fiquei com tudo que havia sobrado, com o resto do nosso fim. Fiquei imaginando por quantas vezes aquilo ia se repetir e com uma imensa vontade de ter em mãos um roteiro de viagens, estava mais do que na hora de passar o ano novo em outra praia.

тє×тo bєєєєєєm vєℓнo, mαร єรρєro qυє goรтєm є comєитєєєm ;) υℓтımoร dıαร dє αℓgυmαร coıรαร є ρrımєıroร dıαร dє oυтrαร. αρєรαr dє тυdo єυ αdoro mυdαиçαร, รєjαm єℓαร boαร oυ rυıиร.

иᾶo ρoรรo єรqυєcєr. dıα 01/02 ƒoı o dıα do ρυbℓıcıтάrıo. ραrαbέиร ρrα иóร!

BeijInhos!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Saudade que não pode

Na verdade nem eu tinha percebido, mas sonhei com você praticamente todas as noites. Fiz de tudo pra pensar em você em todos os momentos, todos eles. Mais uma vez eu ensaiei te contar todas as coisas. Não sei por que tolice minha, eu achava que o que me fazia rir seria importante pra você. Teve uma hora que eu fiz de propósito. Querendo por querer eu apertei bem forte aquele amuleto e pensei tão forte em você, se é que pensamento tem força, que tive certeza de que você também estava pensando em mim naquela hora. Tolice a minha.
Pensando bem eu nem tinha percebido, mas falava em você todas as vezes que surgia uma oportunidade, ou mesmo que não surgisse. Eu falava de você, um assunto que pra ninguém interessava, mas que pra mim era o único que tinha graça e valia à pena. Eu pensava em o que você etária pensando sobre tudo a minha volta e não parei sequer um segundo pra pensar sobre o que eu pensava sobre tudo aquilo. Mas o melhor, o melhor de todas as coisas é que eu nem percebi, nem me dei conta. Eu não estava nem aí. E nada disso me fez mal, nada disso me sugou. Se eu for lembrar pedacinho por pedacinho não foi só em você que eu pensei. Você era parte de mim e não era mais o todo. A diferença é que a parte que você ocupa é uma das mais importantes. Mesmo sendo importante abriu espaço pra tanta gente, pra tanta coisa que não importa quantas vezes eu pensei em você no passado, o que me faz lembrar é estar pensando em você no presente. E que merda é essa? Eu não sofri, não to sofrendo, isso não é normal e não tem graça nenhuma. Já me deixa assustada você ser apenas alguém e não o meu alguém.Já era o sexto dia. Eu tinha sido incrivelmente forte durante seis longos dias e no sétimo dia eu me peguei sem equilíbrio. Eu tive medo, como sempre. Eu fui ao banheiro, engoli uma vontade imensurável de chorar que de tão gigante arranhou com violência a minha garganta. Resgatei na bolsa aquele livro, tentei ler ouvindo sua voz, tentei sentir que você estava ali bem perto. Usei o perfume que você gosta, segurei o amuleto, engoli pela milésima vez o choro dolorido. Eu senti uma fisgada no peito, tão forte que rebateu na palma da mão e feriu a ponto de eu pronunciar um “Ai”. Todas às vezes de não ter percebido, todo amor que durante aqueles seis dias senti sem me assaltar, toda a falta de culpa por sonhar, falar e pensar em você a todo tempo. Tudo foi por água a baixo e eu senti a saudade que não podia. Era muita saudade, tanta que me fez sofrer e ai a vida teve um pouco mais de graça. Todo o amor comum se transformou na saudade que eu não podia sentir, mas senti. E foi a saudade mais bonita da minha vida. Se na hora tive medo agora tenho orgulho desse segredo. Eu senti a saudade proibida mais linda da minha vida, e senti por você.
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Começando
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É difícil escolher como começar, mas tenho certeza de que escolhi certo desta vez. Espero que gostem e sejam muito bem-vindos hoje e sempre.
BeijOtcHau!