quarta-feira, 16 de março de 2011

O que elas querem na verdade?

Estamos sempre idealizando para as nossas vidas pares perfeitos, na maioria das vezes usando como referência os filmes, seriados e até a novela das oito. Basta ter um pouco de bom senso para concluir que esse tipo de romance e relacionamento não existe, e eu acredito que as mulheres que vêm a minha cabeça quando falo nesse assunto, e que sei que estão a procura desse romance ideal, no fundo não acreditam que eles venham a acontecer como elas imaginam. Então, o que realmente acontece? Não são as respostas que estão erradas, mas enfim qual é a pergunta que não estamos sabendo fazer? Falo aqui pelas mulheres. Mesmo acreditando que, da parte dos homens também exista algum conflito do tipo não me sinto segura em afirmar e discutir já que não vivo esse lado da força. Falo do que observo e também do que ouço de amigas, amigas de amigas, etc.

Por mais que, ao longo do tempo a evolução da importância da figura feminina, seja no lar, no trabalho ou na sociedade, venha crescendo vertiginosamente existem valores, quiçá intuitivos, que não nos abandonaram e aparentemente não nos abandonarão. É certo afirmar que no quesito paquera as mulheres estão muito mais seguras e dando muito mais abertura no lugar de ficar apenas esperando a boa vontade do cavalheiro. Porém discordo de que a iniciativa esteja deixando de ser totalmente masculina. Grande parte dessa teoria de que, hoje, homens e mulheres têm posições equivalentes na hora da paquera, surge em consequência da Night, bares e baladas onde o objetivo é olhar, escolher alguém, dar bola e “pegar”, mais de uma por noite, por hora, enfim. Nessas circunstâncias acredito que há mesmo quase uma equivalência no quesito “quem toma a iniciativa”, mas falando de interesse, de sentimento, de empatia, a coisa é bem diferente.

Uma coisa é se interessar por um cara alto, bonito e charmoso numa balada, mostrar interesse e ficar com ele. Outra é encontrar todos os dias com a mesma pessoa num restaurante, trocar olhares e sorrisos, ou então cruzar alguém no hall do prédio, na piscina, na reunião do condomínio e sentir que existe algo no ar, que não se define muito bem, mas vocês sabem do que estou falando, quem nunca sentiu? Nesses casos a mulher não é quem toma a iniciativa, e nem demonstra interesse logo de cara. Existe uma coisa, estranha, na alma feminina que faz com que ela recue a medida que vai se envolvendo. E, pelo menos as mulheres que sentem e são de veradade, querem mesmo esse cara do restaurante e o do condomínio e não o bonitão da balada. Isso porque estou falando de sentimento, de relacionamento e não de satisfação banal dos prazeres da carne. Isso é o que me preocupa.

Com essa história toda de que homens e mulheres cada vez mais dividem o mesmo papel os relacionamentos estão desaparecendo e, na língua falada, todo mundo pega todo mundo. Cadê o sentimento? Quando a mulher se apaixonar mesmo ela não vai falar, não é ela quem vai pedir o telefone e ligar pra convidar para um jantar. Ela, sendo mais segura, pode até jogar indiretas (que eles dificilmente entendem, mas não custa tentar), mas ser totalmente direta e mandar um “Pode ser ou tá difícil?” é algo raro de acontecer. E os homens, acreditando na teoria de que hoje elas chegam junto, talvez, estão cada vez mais “lentos”. Me canso de ouvir histórias em que eles demoram uma eternidade pra resolver fazer alguma coisa. Até ligam, até vão atrás, mas não são objetivos e diretos. Comodismo? Preguiça? Claro, é bem mais fácil ir pra um barzinho e ficar com uma mulher linda e fácil, mas ligar, convidar para um almoço, fazer uma visita, é complicado para eles. Elas ficam então frustradas, desiludidas, perdem aquela vontade e interesse, acham que o problema está nelas, mas acredito que esteja mesmo em compreender que o mundo muda, os tempos passam, mas as mulheres ainda gostam de ser cortejadas e conquistadas. Ouçam homens, por mais que seja uma mulher linda, bem sucedida e independente não significa que ela não vai te querer, ela apenas é diferente da bonitona fácil da balada.

É isso, chega de procurar por príncipes, homens românticos e sem defeitos, que mandam flores e chocolates, que gostam de vinho, ficam lindos de cabelinho penteado e gravata e jamais estão de mau humor. Esses não existem, elas sabem. O que querem são homens com atitude, homens que não esperam, que fazem acontecer, que conquistam, escutam, ligam e agradecem por terem pensado neles, até por que isso não é nada de extraordinário, é o que foi deixando de existir com o tempo. Isso é estar disposto a se comprometer, não pela vida toda, isso requer tempo e muita entrega, mas se comprometer a passar pra pegar as oito e cumprir a promessa não arranca pedaço de ninguém. E, acreditem, relacionamentos começam assim, requerem determinação, quem foi que inventou que é fácil encontrar alguém?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ela IN-teira

Ela esperava, nunca falava, como se observasse a vida e as coisas de modo que sempre aprendia, mas sempre guardava o entendimento dentro de si. Observando ela aprendeu que a essência da vida vem de dentro para fora e que não adiantava esperar como sempre fazia. Era preciso triturar o mundo e as coisas no seu processador interno e jogar tudo para fora, para ai então deixar com que o seu jeito particular de fazer isso pudesse mostrar aos outros quem ela era.

Ela queria alguém que chegasse e a pudesse fazer feliz, mas ninguém podia se ela não gostasse de ser como era, entendeu. Saiu em busca de fazer a própria felicidade como quem dá presentes a si mesma, como quem brinca com os brinquedos feitos pelas próprias mãos. Esse era o caminho certo, pois enquanto não soubesse dar-se os presentes certos, enquanto não encontrasse o modo de construir o brinquedo que mais a faria sorrir ninguém no mundo todo poderia fazer isso por ela e ela também não poderia fazê-lo por ninguém. A partir desse dia a menina tornou-se muito mais forte. Pôde encontrar nas pessoas motivos encantadores pelos quais se apaixonar. Não teve medo de se apegar pois era segura. Viu que perder fazia parte de vida assim como a dor particular que cada uma causava e viu também que era necessário deixar-se sofrer. A tristeza tem começo meio e fim, dura um tempo, não se cura de uma vez. Distrair-se só fazia com que ao fim de cada distração o tempo da tristeza partisse do zero de novo e demorasse mais. Não era por conta dos sofrimentos que a felicidade deixaria de existir.

Havia ainda no mundo muitas coisas que a deixavam descontente, mas todos os dias, num exercício milimetricamente controlado, olhava para dentro e encontrava um jeito de não deixar o que a aborrecia afetar de forma negativa suas energias Algumas vezes chegava a conclusão de que se mudasse um conceito, uma percepção, um comportamento dela aquilo a agradaria muito mais sem ter deixado de ser o que sempre foi. Fazia sentido dizer que as coisas mudavam quando ela mudava.

Foi vivendo dessa maneira, um dia depois do outro, uma coisa de cada vez. Sentiu o ar entrar mais leve no peito, sentiu os momentos difíceis com mais controle para poder lutar. Estava pronta para aprender ainda muitas coisas, mas era como se uma das partes já estivesse cumprida. Aquela parte de aprender que não importa quantas pessoas estivessem ao seu lado e nem quantas pessoas a fizessem bem ou mal, o que sentia só ela sabia, só ela entendia e, principalmente, só ela controlava.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Curtos

"Eu quero o seu sofá, quero Almodovar na TV, suas pernas perdidas entre as minhas pernas, sentir seu cheiro e ver como entre uma risada e outra o sono umedece seus olhos. Quero perder meus dedos nos seus cabelos até sentir acalmar sua respiração. E te ver dormindo, mas te acordar com o beijo que, por eu ter te olhado assim, meio de lado, meio sem querer olhar profundamente, tornou-se inevitável."
-1.2.11

"A gente vive buscando no passado explicação para as coisas de agora. Ridículo. Como se tudo pudesse ser fundamentado, como se o passado fosse algo a se carregar para sempre e só ele fizesse sentido. Eu quero a liberdade de rever os meus conceitos o tempo todo, de mudar de opinião e inventar novas escolhas, a liberdade de trazer do passado apenas o que aprendi sem mudar o presente por conceitos saturados e teimosias arrastadas pelo tempo."
- 4.1.11

"A diferença talvez não esteja no outro, ela está em nós e em como nos sentimos. Ultimamente as pessoas tem me feito sentir a menina pequena, delicada e indefesa que eu não gosto de ser. Então eu paro pra lembrar que do seu lado eu me sentia tão forte, ousada e segura quanto eu acredito que sou. Não sei se é certo encarar isso como uma resposta ou como algo que indique um caminho, é preciso mergulhar mais fundo para desembaraçar esse fio que une as minhas vontades e os meus medos, mas enquanto isso segura a minha mão, é tudo tão difícil."
-2.1.11

"Era como se até o ar tivesse dificuldade de entrar naquele peito preenchido pela pessoa que, pra ela, era a preferida entre todas as pessoas no mundo."
— E em breve texto completo

"Em algum lugar do tempo dançávamos num bar argentino, bebiamos e dávamos risada. Você estava linda, a música de tão forte era parte de nós. E nunca mais saimos dali, como se o tempo tivesse parado para que nos encontrássemos em centenas de outras vidas e ainda assim, ao olhar nos seus olhos, eternamente embreagados, eu ainda pudesse ouvir a música, sentir o cheiro do álcool e a vontade de te beijar."
-23.10.10


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Como é se apaixonar?

Alguém me explica? Acho que ando confundindo as coisas. Acho que sempre confundi. Dá vontade incontrolável de abraçar a pessoa? Dá medo de ser rejeitada? Desculpa, preciso fazer todas as perguntas. Dá medo de ficar sem, dá vontade de dizer pra não sumir nunca mais nem por um dia sequer? Quando vemos o sorriso da pessoa queremos sorrir também e demonstrar todo carinho do mundo? E poderiamos ficar por horas olhando sem falar nada, só observando, os gestos, as expressões…? Todo dia é como se fosse o primeiro encontro até sair a voz, a primeira palavra?
Eu preciso de explicação, não tem um tutorial? É assim que a gente reconhece um amor nessa vida? Eu preciso ter certeza, será que um dia a gente tem?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Palavras de presente

Ai de mim se eu não escrevesse esse texto. Mais uma vez sendo desafiada a escrever sobre coisas boas. Deus, isso está se tornando um hábito. Nada de aflições, arrependimentos, medo. Nada disso. Estou aqui para falar de coisas boas, e quantas. O que falar sobre alguém que resolveu ficar mais velho junto com o planeta? Ou quase. No dia 31 de dezembro há mais do que se comemorar do que a passagem de um ano para o outro, pelo menos para mim.
A primeira vista ele tem uma aparência séria. “Quando te conheci pensei que era bravo!” Lembra? Mas depois, muito rapidamente, digamos assim, pode se perceber a alegria toda que brota daquela pessoa. O mau humor matinal (às 10h da manha, vejam bem) é característico, porem sem demora tudo vira motivo para brincar, tudo vira piada, todo mundo vira personagem e a vida fica leve de mais. Uma infinidade de apelidos saem daquela cabeça, cada idéia maluca vem não sei de onde, uma torneirinha de asneiras das bem aproveitáveis. Maquininha de palavras, fala, fala, fala e não para. Quando fixa numa idéia, numa provocação, não há quem o faça parar. Em qualquer momento que esteja quieto de mais é certo que está tramando, inventando, criando. Inteligência nobre de publicitário. Publicitário que é entre todas as outras coisas que já foi. Entre suas milhares de histórias já passou por muitos lugares, já conheceu muitas pessoas e já foi tantas coisas que parece que nunca vai acabar de contar tudo que tem pra contar.
Chato. Nem tem graça falar de você. Tanta coisa que não cabe num texto só. Só posso falar de verdade da alegria que foi, e é, ter conhecido você, ter aprendido com você, ter dado tantas risadas, ter raptado sua câmera, não ter travado a porta do seu carro, ter que guardar todas as coisas malucas que você inventa e querer que isso tudo continue acontecendo por muito tempo. Obrigada por tudo. Por ser assim tão alegre, implicante, por mostrar que a vida é bem maior nas coisas pequenas, vale muito mais nos detalhes. Feliz aniversário. Espero que sua ansiedade tenha te deixado ler só no dia 31, rs. Que tenha um dia lindo de aniversário e um ano lindo pela frente. Muita saúde, muita paz e muita luz nesse coração que é maior do que você mesmo. Adoro você, Gilsonzovisk!