domingo, 22 de fevereiro de 2009
É Carnaval
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Emprestimo
Ela existe
Encontrei a danada, mas ela fugiu. Pouco depois a encontrei de novo, mas ela disse que estava atrasada e eu entendi com preguiça de filosofar. Mais tarde ela voltou sem falar nada e se enfiou comigo embaixo das cobertas, quentinha. Só foi embora quando o relógio despertou rasgando o conforto, estava frio. Durante o dia ela voltou em situações bobas como o sorriso do menino mais lindo do mundo, a bolacha de chocolate que eu lembrei que tinha na gaveta e um título engraçadinho que eu fiz e foi aprovado pelo cliente. Ela ia e voltava, ia e voltava: como a vida. Linear são os batimentos cardíacos da morte. A noite ela apareceu na porta do meu banheiro, fez tanta força que entrou mesmo com a porta fechada. Focinhou a porta do box e me mostrou a bolinha de brinquedo me chamando para brincar, ao mesmo tempo entrou pela janela revestida de cheiro de hambúrguer. Veio em dose dupla.As vezes ela desaparece durante tanto tempo que me falta o ar. Dá uma saudade louca, ela deixa um vazio depressivo, um buraco. Ela me deixa mais uma e eu odeio ser mais uma. Não posso negar a dependência que eu tenho dela. Mas eu aprendi, finalmente, eu aprendi que ela não aparece apenas numa grande história de amor, numa viagem com tudo pago para Paris ou numa bufunfa boa lá na minha conta bancária carente. Ela também dá as caras pelo lado simples da vida, ontem apareceu numa tomada. Eu estava numa sala de espera lotada, esperando para abrir as pernas naquela cama da tortura e ouvir da minha ginecologista que sim, vai doer, mas é para o meu bem. E ela apareceu. Eu precisava recarregar meu celular para saber o que o esquisito tinha deixado na minha caixa postal e uma tomada apareceu do meu lado, foi só afastar um pouco as revistas Caras e outras do mesmo gênero (enquanto você espera para saber como vai sua vagina você fica sabendo como vai a vagina das outras). E lá estava o recado dele, esquisito como sempre, mas com aquela voz lacônica e charmosa. A felicidade entrou com o pé na porta e sentou ao meu lado. Eu não estava mais sozinha esperando o especulo. O trânsito todo parado e ela acena no carro ao lado, depois morre de vergonha e toma bronca do pai para sentar direito na cadeirinha. O dia meio cinzento, vai-não-vai e de repente ela surge amarela e esquenta a vida. Ela mora numa gaveta cheia de bobeirinhas lá em casa, que tem nariz de palhaço de festa louca, cartinha de amor antiga, fotos da minha bochecha quando eu tinha cinco anos e lembranças de carinho em flores secas. Ela toma banho comigo quando a água leva embora coisa ruim e renova a alma e dorme ao meu lado quando eu descanso depois do almoço de domingo com o meu pai que eu não vejo a semana toda. Ela é virtual na comunidade que criaram para mim no Orkut, chama-se Tati Bernardi, e ela é fantasma quando eu lembro do meu avô dizendo que eu era a mulher mais linda do mundo. A mulher mais linda do mundo pequeno do meu avô. A felicidade mora num mundo pequeno seu e não naquele grande que faz você se perder demais. A felicidade é simples, e quando você descobre isso ela deixa de ser uma espera e passa a ser um minuto, um segundo. E é de minutos e segundos que se faz a vida. E aí você perde menos tempo esperando e mais tempo vivendo. Entre o piegas e o chavão, é assim que ando por aí vivendo a vida intensamente sem esperar momentos intensos. Você já tentou? Já tentou não imaginar a sua felicidade na outra festa que você estaria se não estivesse nessa e encontrar a sua felicidade onde você está? Tente, pode ser numa música boba, pode ser num amigo que você não via há muito tempo. Pode ser morrendo de rir de uma noite mico, por que não? Eu sempre esperei viver uma história de cinema, ouvir cantadas de filme francês, ganhar salário de estrela, ter amigos de sitcom, corpo de capa de revista e enterro de celebridade. Ai eu lembrei que os filmes de que eu mais gosto são aqueles despretenciosos que contam a história de uma pessoa idiota como eu.
Concordo com tudo, do início ao fim ^^ "...que contam a história de uma pessoa idiota como eu." Idiota como EU! \o/
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Caranguejo 'bixo' é!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Uma calcinha cor de rosa
Mais uma vez tive um conflito nervoso com a blusa e o sapato. Tenho poucos sapatos, isso já é fato. Ou talvez pouca inspiração, mas deixa isso pra lá. Minha roupa era cinza novamente e se não era pra inspirar ou atrair qualquer coisa pro ano que estava por vir preferi pensar que era por luto pelo ano que passou. Não que ele tenha sido somente coisas ruins, mas o luto era justamente pras coisas ruins que nele tinham acontecido. As boas eu guardei no coração. Ainda assim faltava alguma coisa.
Como sempre nessas festas chega a hora de reencontrar pessoas, encontrar pessoas, se despedir de pessoas e tropeçar em pessoas, latas de cervejas e afins. Cachorrinhos não comemoram ano novo? Não vi nenhum por lá. As pessoas muitas vezes me irritam. A multidão, aquela garoa fina, típica dessa época do ano, ou dos anos, já que é entre um e outro que sempre chove.
Eu não sei entre quantas mil pessoas eu estava, e era mesmo melhor não saber pra não ter mais aflição. O que importa é que eu estava extremamente sozinha. Sim, sozinha. Aquele novo me sufocava, estar presa me sufocava e entre mais de não sei quantas mil mãos só poder segurar em um par delas, pertencentes a um só tronco. E entre mais não sei quantos mil troncos, incluindo as árvores, só poder abraçar um deles sem culpa me sufocava.
Parecia uma premonição cada segundo do que ia acontecer. Eu sabia, sempre sabia, pra onde ir, onde ficar, o que fazer, que hora parar. Não tinha nada de diferente e ao mesmo tempo eu estava fora daquilo tudo, assistindo meu Feliz ano Novo de camarote enquanto tudo acontecia como sempre acontecia. Era exatamente isso, uma noite da qual eu não participei. Na qual eu estava sem estar. Mas eu queria, em cada segundo eu queria entrar naquela noite e poder respirar o mesmo ar que respirava toda aquela multidão. Mesmo que isso me causasse raiva.
Naquele camarote escuro onde eu estava isolada do mundo, mas podia ao menos ver em volta e não desperdicei esse recurso. Das minhas premonições uma delas era que ele estava ali e confesso que desde o início eu já estava esperando, procurando. E num golpe de olhar na mais provável direção onde eu poderia lhe enxergar eu me senti pela primeira vez dentro daquela noite. Eu o vi e meu coração disparou da maneira teimosa e irritante que ele costuma disparar. Me senti viva, pude respirar toda aquela multidão sem nojo, sem medo e dentro da história, parte do mundo, fora do meu camarote. Estava lindo como sempre, aquela boca, aquele cabelo. Ela era alto e forte, era homem.
Numa fração de segundo o golpe de felicidade se tornou golpe de frio, de medo, de lembranças e arrependimentos. A única mão que eu tinha arrastei pra um lugar longe dali, arrastei pra dentro da bola de vidro que me protegia e lá fiquei sozinha outra vez. Cada vez que te olhava, cada vez que te via de longe e você não me via eu saia e entrava naquela história. Fiquei com tudo que havia sobrado, com o resto do nosso fim. Fiquei imaginando por quantas vezes aquilo ia se repetir e com uma imensa vontade de ter em mãos um roteiro de viagens, estava mais do que na hora de passar o ano novo em outra praia.
тє×тo bєєєєєєm vєℓнo, mαร єรρєro qυє goรтєm є comєитєєєm ;) υℓтımoร dıαร dє αℓgυmαร coıรαร є ρrımєıroร dıαร dє oυтrαร. αρєรαr dє тυdo єυ αdoro mυdαиçαร, รєjαm єℓαร boαร oυ rυıиร.
иᾶo ρoรรo єรqυєcєr. dıα 01/02 ƒoı o dıα do ρυbℓıcıтάrıo. ραrαbέиร ρrα иóร!
BeijInhos!
domingo, 1 de fevereiro de 2009
O Maior de Todos
Isso tem me invadido tantas vezes por dia e talvez a culpa seja toda minha. Pra falar a verdade a culpa é exclusivamente minha. Se eu me ouvisse, me desse um tempo, me desse carinho, me desse descanso eu conseguiria encontrar a saída do labirinto. Agora já é tarde demais, eu resolvi quebrar todas as paredes usando o próprio sentimento desesperado que o labirinto me trás. Eu vou sair botando minhas dores pra fora até explodir tudo, até acabar. É aquela sensação de abrir o peito e arrancar magoa por magoa até ficar seca, sem lágrimas.
Entre todos os medos do mundo o mais inevitável e cruel é o medo da própria coragem. O maior de todos, desses que te sugam o ar. Eu me sinto assim, sem forças pra mover um músculo sequer, perdida entre os pedaços do meu coração depois de ter pisado nele. E eu não mereço consolo, não mereço colo, não mereço nada. No mundo nada é infiel, a gente colhe o que plantou e se eu planto medo não posso colher explicação. Pessoas nascem e morrem, e é absolutamente impossível entender o que se passa entre essas duas palavras.
já tive dias muito melhores ;)
